Todo trabalho de auditoria está sujeito ao chamado risco de auditoria. Esse consiste no risco de obter conclusões incorretas ou incompletas, de forma que gere informações desequilibradas ou não agregue valor aos usuários. Um trabalho de auditoria que tenha por objetivo avaliar a efetividade de programa governamental pode trazer o risco de se indicar a descontinuidade de um programa efetivo, em decorrência de metas mal dimensionadas ou de critérios de avaliação inadequados. Uma maneira adequada de mitigar esse risco é:
- A)reavaliar a limitação do escopo do objeto auditado;
Errada, porque reavaliar o escopo pode até ser útil em outros contextos, mas não é a medida mais adequada aqui para mitigar o risco de uma conclusão distorcida por critérios ou metas inadequados.
- B)validar a matriz de achados por painel de referência;
Certa, porque o painel de referência valida a matriz de achados, ajudando a conferir se critérios, evidências e conclusões estão coerentes antes da consolidação do relatório.
- C)realizar testes de observância dos controles internos;
Errada, porque testes de observância servem mais para verificar a aderência dos controles internos, e não para corrigir o risco específico de avaliação mal calibrada de efetividade de programa.
- D)a equipe de auditoria não questionar as intenções e decisões do programa;
Errada, porque a equipe deve manter postura crítica e analítica; não questionar intenções e decisões do programa vai justamente na direção contrária da boa auditoria.
- E)evitar o envio de relatórios parciais ao gestor do programa auditado.
Errada, porque relatórios parciais podem ser úteis para comunicação e alinhamento durante o trabalho, não sendo essa a medida típica para mitigar o risco descrito.
Gabarito: B
Em auditoria, o risco de auditoria é o risco de você chegar a uma conclusão errada ou incompleta e, com isso, produzir um relatório que não ajude ninguém de verdade. Em auditoria operacional, isso pode acontecer quando o programa é bom, mas os critérios de avaliação foram mal escolhidos, as metas ficaram fora da realidade ou o desenho da análise induziu a uma interpretação distorcida. Resultado: você pode acabar sugerindo até a descontinuidade de algo que funciona. Uma forma clássica de reduzir esse problema é submeter a matriz de achados ao painel de referência, porque esse grupo ajuda a validar a consistência dos achados, dos critérios e das conclusões antes de o relatório ganhar vida própria. Isso está bem alinhado com a lógica das auditorias do TCU, especialmente nas auditorias de desempenho/operacionais, em que a discussão com especialistas e gestores qualificados ajuda a calibrar o juízo da equipe e evitar conclusões desequilibradas.