Uma orientação presente nas normas e princípios gerais de auditoria é que, ao planejar e executar o seu trabalho, o auditor deve reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente baixo nas circunstâncias da auditoria, de modo a obter segurança razoável como base para expressar uma opinião de forma positiva. Como a segurança pode ser razoável, mas não absoluta, há que se considerar o risco de distorção relevante que decorre dos riscos:
- A)inerente e de controle;
Correta: o risco de distorção relevante resulta dos riscos inerente e de controle, conforme o modelo clássico adotado nas normas de auditoria.
- B)residual e de detecção;
Errada: risco residual não é a base da fórmula de risco de distorção relevante, e risco de detecção é o risco que o auditor busca reduzir por meio dos procedimentos.
- C)de avaliação e inerente;
Errada: risco de avaliação não compõe a estrutura clássica do risco de distorção relevante, que envolve risco inerente e risco de controle.
- D)de fraude e de detecção;
Errada: risco de fraude pode afetar a auditoria, mas não é um dos dois componentes básicos do risco de distorção relevante.
- E)de planejamento e de controle.
Errada: risco de planejamento não integra o modelo normativo de risco de auditoria, e o risco de controle sozinho não fecha essa lógica.
Gabarito: A
Quando a norma de auditoria fala em "segurança razoável", ela está lembrando que o auditor não trabalha com certeza absoluta. O objetivo é reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente baixo, o que significa conviver com alguma incerteza, mas não com descuido. Nesse cenário, o risco de distorção relevante nasce da combinação de dois grandes blocos: o risco inerente e o risco de controle. O risco inerente é aquele ligado à própria natureza da conta, operação ou evento, antes de qualquer controle. Já o risco de controle depende da capacidade dos controles internos de evitar ou detectar tempestivamente uma distorção. É por isso que o gabarito é a letra A. A lógica clássica da auditoria diz que o risco de distorção relevante é formado pelos riscos inerente e de controle, enquanto o risco de detecção é o que o auditor tenta reduzir com seus procedimentos. Se os controles da empresa forem fracos, o auditor precisa compensar com mais testes, mais profundidade e mais ceticismo profissional. Na prática, pense assim: se a conta já é naturalmente arriscada e os controles também não ajudam, o auditor não pode relaxar. As normas de auditoria independente, em linha com a NBC TA 200 e o modelo de risco de auditoria, seguem exatamente essa estrutura.