Os processos de extração de minérios geram resíduos sólidos e água. Para evitar danos ambientais provenientes desses rejeitos, é necessário um reservatório denominado barragem de rejeitos. Quando, eventualmente, faz-se necessária a ampliação da capacidade de armazenamento de uma barragem de rejeitos, são construídos alteamentos. Acerca dos alteamentos, é correto afirmar que:
- A)no alteamento a jusante não há necessidade da construção de um dique de partida;
Errada: no alteamento a jusante há, sim, necessidade de dique de partida, que serve como base inicial da barragem.
- B)o método para montante foi desenvolvido para reduzir os riscos de liquefação em zonas de atividade sísmica; sendo assim, é o mais conservador entre os métodos;
Errada: o método a montante não foi criado para reduzir liquefação em zonas sísmicas; ele é justamente menos seguro e menos conservador.
- C)a desvantagem do alteamento a montante em relação ao alteamento a jusante é o alto custo dos alteamentos, já que, no primeiro, há um maior volume de aterro necessário;
Errada: a descrição inverte a lógica dos custos, porque o alteamento a montante costuma ser mais barato, embora menos estável, e não o mais caro por exigir mais aterro.
- D)o método para jusante é o mais simples e de mais baixo custo de construção, entretanto, está associado à maioria dos casos de ruptura de barragens de rejeitos por todo o mundo;
Errada: o alteamento a jusante é mais estável, mas não é o mais barato; além disso, os maiores índices de ruptura historicamente se relacionam ao método a montante.
- E)o método de alteamento na linha de centro possui maior estabilidade do que uma barragem alteada a montante e não requer um grande volume de materiais, como no alteamento a jusante.
Certa: o alteamento pela linha de centro equilibra estabilidade e custo, ficando mais estável que o a montante e exigindo menos material que o a jusante.
Gabarito: E
Quando uma barragem de rejeitos precisa ganhar altura, o alteamento pode ser feito por diferentes métodos: a montante, a jusante e pela linha de centro. A lógica é simples: quanto mais a estrutura cresce sobre a própria contenção, menor costuma ser o custo, mas também tende a aumentar o risco. Quanto mais a barragem avança para fora, mais material você precisa, porém a estabilidade melhora. No alteamento a montante, a expansão ocorre sobre os próprios rejeitos depositados, o que reduz custo, mas piora a segurança, sendo o método historicamente mais associado a rupturas. Já no alteamento a jusante, a barragem vai sendo ampliada para fora, em direção ao lado externo do reservatório, com maior consumo de material e maior estabilidade. O método pela linha de centro fica no meio do caminho: cresce verticalmente a partir do eixo da barragem, equilibrando custo e segurança. É por isso que a alternativa E está correta. A linha de centro realmente oferece maior estabilidade do que o alteamento a montante e não exige o grande volume de materiais típico do alteamento a jusante. Em termos práticos, ela tenta pegar o melhor dos dois mundos: nem tão barata e arriscada quanto a montante, nem tão cara quanto a jusante. Em auditoria e controle de obras públicas, essa classificação aparece muito em provas porque envolve trade-off clássico entre custo, segurança e risco ambiental. O tema também conversa com diretrizes de segurança de barragens, especialmente a Lei 12.334/2010, que trata da Política Nacional de Segurança de Barragens.