A determinação de materialidade pelo auditor é uma questão de julgamento profissional e é afetada pela percepção do auditor das necessidades de informações financeiras dos usuários das demonstrações contábeis. Neste contexto, é razoável que o auditor assuma que os usuários
- A)podem ou não possuir conhecimento de negócios e de contabilidade.
Errada, porque o auditor parte da premissa de usuarios com conhecimento razoavel de negocios e contabilidade, nao de uma incerteza quanto a isso.
- B)possuem plena confiança no auditor e no trabalho realizado por sua equipe.
Errada, porque o auditor nao deve presumir confianca plena e irrestrita no seu trabalho; a premissa e sobre necessidades informacionais dos usuarios, nao sobre fé no auditor.
- C)tomam decisões econômicas de acordo com o relatório do auditor.
Errada, porque os usuarios tomam decisoes economicas com base nas informacoes contabeis, mas nao seguem automaticamente o relatorio do auditor como regra decisoria.
- D)reconhecem as incertezas inerentes à mensuração de valores baseados no uso de estimativas.
Certa, porque o usuario razoavel reconhece que valores baseados em estimativas envolvem incerteza, e isso e exatamente a premissa usada na avaliacao de materialidade.
- E)precisam das informações com tempestividade, para tomar suas decisões com rapidez.
Errada, porque tempestividade e uma caracteristica qualitativa da informacao, mas nao e a premissa especifica que fundamenta a avaliacao de materialidade nesta questao.
Gabarito: D
Materialidade, na auditoria, nao e um numero magico tirado da cartola. Ela depende do julgamento profissional do auditor e da forma como ele enxerga as necessidades dos usuarios das demonstracoes contabeis. Em outras palavras, o auditor nao pensa como “qualquer pessoa”, mas como alguem que estima o que pode influenciar decisoes economicas desses usuarios. As normas de auditoria adotam a ideia de que os usuarios das demonstracoes possuem uma noção razoavel de negocios e contabilidade e entendem que as demonstracoes sao preparadas com base em estimativas e julgamentos. Isso aparece claramente no arcabouco das NBC TA, em linha com a estrutura conceitual do IASB/CPC, que reconhece a existencia de incertezas na mensuracao de valores. Por isso, o auditor nao pode presumir que o usuario espera certeza absoluta. Pelo contrario: se um valor decorre de estimativa, como provisoes, vida util, impairment ou contingencias, o usuario razoavel sabe que ha margem de incerteza. Essa ideia e central para avaliar o que e material e o que merece maior atencao no trabalho de auditoria. Assim, o gabarito esta em D porque o auditor deve assumir um usuario razoavel que reconhece as incertezas inerentes a mensuracoes baseadas em estimativas. Isso orienta a avaliacao da materialidade e evita uma expectativa irreal de exatidao total nas demonstracoes contabeis.