As medidas de controle de cheias e inundações podem ser não estruturais, estruturais, extensivas e intensivas. Algumas dessas medidas alteram o runoff, diminuindo o volume escoado; outras apenas contêm as águas, protegendo as bacias de inundação; e outras apenas atenuam o pico das cheias. Constituem exemplo de medida estrutural intensiva que busca atenuar o pico das cheias, distribuindo temporalmente as águas escoadas:
- A)os reservatórios de regularização;
Correta, porque o reservatório de regularização armazena a vazão excedente e libera a água aos poucos, reduzindo o pico da cheia.
- B)as estabilizações de taludes e contenções de encostas;
Errada, porque estabilizações de taludes e contenções de encostas atuam na segurança geotécnica, não na regularização temporal da vazão.
- C)os diques marginais com pôlder;
Errada, porque diques marginais com pôlder servem para conter/proteger áreas inundáveis, mas não são o exemplo típico de atenuação do pico por armazenamento controlado.
- D)as retificações das calhas meândricas do rio;
Errada, porque a retificação de calhas meândricas tende a acelerar o escoamento e alterar a dinâmica do rio, não a distribuir temporalmente as águas.
- E)os reflorestamentos das encostas.
Errada, porque reflorestamento de encostas é medida extensiva, voltada a diminuir runoff e favorecer infiltração, e não obra estrutural intensiva.
Gabarito: A
Em obras públicas e drenagem urbana, as medidas de controle de cheias costumam ser divididas em não estruturais, estruturais, extensivas e intensivas. A lógica é simples: algumas procuram reduzir o escoamento gerado na bacia, outras tentam conter a água, e outras trabalham para “espalhar no tempo” a vazão, diminuindo o pico da cheia. Isso cai bastante em prova porque a banca adora trocar os conceitos de lugar, como se todo mundo fosse sinônimo de reservatório, dique e reflorestamento. As medidas estruturais intensivas são aquelas obras mais diretas no curso d’água ou no sistema de drenagem, com impacto hidráulico relevante. Entre elas, os reservatórios de regularização são clássicos: eles armazenam parte do volume das chuvas e liberam a água gradualmente, o que reduz a vazão de pico. Em outras palavras, a cheia chega menos “explosiva” a jusante, porque a água é distribuída temporalmente. É exatamente essa a ideia pedida no enunciado. Já as medidas como diques, pôlderes, contenções e estabilizações tendem a proteger áreas ou conter encostas, mas não têm a mesma função de regularizar o hidrograma da bacia. E reflorestamento é medida extensiva, porque atua na bacia reduzindo runoff por infiltração e interceptação, não como obra hidráulica de regularização. Em doutrina de drenagem e controle de enchentes, essa distinção é bem clássica: reservatório regulariza, dique protege, vegetação infiltra. Portanto, o gabarito é a alternativa A, pois os reservatórios de regularização são medida estrutural intensiva voltada a atenuar o pico das cheias por armazenamento temporário e liberação controlada da água.