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Auditoria · FGV · 2021

Questão comentada de Auditoria

Na auditoria do projeto de um decantador retangular convencional de uma estação de tratamento de esgoto, verificou-se que a velocidade de sedimentação crítica vs, obtida de ensaios com cone de Imhoff, era 0,012 m/s. Já havia sido definido pelo contratante que a velocidade de escoamento longitudinal Ve seria 0,05 m/s. O projeto arquitetônico, buscando uniformizar as fundações, definiu a altura do decantador em 3m e a largura em 6m. O terreno da ETE era suficiente para diversos arranjos de comprimento do reator. Nesse caso, o menor comprimento do decantador projetado para obter uma remoção de 100% das partículas presentes na amostra do ensaio com cone deve ser de:

Gabarito: C

Em decantadores retangulares, a ideia central é simples: a partícula precisa ter tempo de cair toda a altura útil antes de sair com a água. Se a velocidade de escoamento longitudinal é Ve, o tempo de permanência aproximado no tanque é L/Ve. Nesse mesmo tempo, a partícula desce uma distância vs x (L/Ve), onde vs é a velocidade de sedimentação crítica. Para haver remoção de 100% das partículas do ensaio, a queda vertical precisa ser igual à altura do decantador. Então, você monta a relação: vs x (L/Ve) = h. Isolando L, fica L = h x Ve / vs. É uma conta curta, mas que costuma enganar quem troca tempo por velocidade e sai multiplicando tudo sem critério. Substituindo os dados: L = 3 x 0,05 / 0,012 = 0,15 / 0,012 = 12,5 m. Portanto, o menor comprimento necessário é 12,5 m, que corresponde à alternativa C. Esse raciocínio é o clássico de hidráulica aplicada ao tratamento de esgotos, muito usado em projetos de decantadores. A banca gosta de testar justamente se você sabe ligar geometria do tanque com tempo de detenção e velocidade de sedimentação, sem cair na tentação de usar só a largura ou a altura isoladamente.

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