Um dos componentes da Estrutura Integrada de Gerenciamento de Riscos proposta pelo COSO é a Identificação de Eventos. De acordo com as diretrizes desse componente:
- A)as técnicas de identificação de eventos devem ter foco em perspectivas futuras;
Errada, porque a identificação de eventos não se limita a perspectivas futuras; ela considera fatos internos e externos, atuais e potenciais.
- B)eventos cujo impacto é positivo contrabalançam os impactos negativos dos riscos;
Certa, pois eventos com impacto positivo podem compensar ou contrabalançar efeitos negativos de riscos, dentro da visão ampla do COSO.
- C)eventos ocorridos no nível estratégico se sobrepõem aos ocorridos no nível operacional;
Errada, porque eventos estratégicos não se sobrepõem automaticamente aos operacionais; a relevância depende do contexto e dos objetivos.
- D)eventos que representam oportunidades devem ser mais enfatizados do que eventos que representam riscos;
Errada, pois o COSO não determina que oportunidades devam ser mais enfatizadas do que riscos; ambos devem ser analisados de forma equilibrada.
- E)o grau de profundidade na identificação de eventos deve ser homogêneo em organizações com objetivos semelhantes.
Errada, porque o grau de profundidade na identificação de eventos varia conforme porte, complexidade, setor e objetivos da organização.
Gabarito: B
No COSO ERM, a Identificação de Eventos serve para localizar fatos ou situações que podem afetar a estratégia e os objetivos da organização. Esses eventos podem ser internos ou externos e podem gerar efeitos negativos, neutros ou positivos. A ideia é olhar para o ambiente com cuidado, porque risco não é só problema: também pode aparecer como oportunidade, e as duas coisas fazem parte da análise. A lógica do componente é que os eventos com impacto positivo podem compensar, em certa medida, os efeitos negativos dos riscos. Por isso, quando o COSO fala em identificação de eventos, ele não manda enxergar apenas a face “ameaça” do problema. Ele quer que você perceba o jogo completo: perda, ganho, incerteza e chance de melhoria. É por isso que a alternativa B está correta. Se um evento traz efeito positivo, ele pode contrabalançar impactos negativos associados a outros riscos ou até abrir espaço para aumentar valor. Isso está alinhado à visão do COSO de gerenciamento de riscos como instrumento para apoiar a criação, preservação e realização de valor. As demais alternativas tropeçam em exageros ou generalizações. O modelo não exige foco só no futuro, não cria hierarquia automática entre níveis estratégico e operacional, não manda priorizar sempre oportunidades sobre riscos, nem impõe o mesmo nível de profundidade para organizações diferentes. No COSO, contexto manda muito.