As Normas Brasileiras de Auditoria do Setor Público (NBASP) adotam como base As Normas Internacionais das Entidades Fiscalizadoras Superiores (ISSAI, na sigla em inglês). Dessa forma, com fundamento na NBASP 400 – Princípios de Auditoria de Conformidade, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)As auditorias devem ser conduzidas de forma a reduzir o risco de auditoria a um nível nulo. O risco da auditoria é o risco de que o relatório de auditoria – ou especificamente a conclusão ou opinião do auditor – possa ser inadequado às circunstâncias da auditoria.
Errada, porque a NBASP não exige risco de auditoria nulo, e sim risco reduzido a um nível aceitavelmente baixo.
- B)Determinar a materialidade é uma questão de julgamento profissional e depende da interpretação do auditor sobre as necessidades dos usuários. Uma questão pode ser julgada material se o seu conhecimento é suscetível de influenciar as decisões dos usuários previstos.
Certa, pois a materialidade depende de julgamento profissional e do efeito potencial sobre as decisões dos usuários previstos.
- C)Julgamento e ceticismo profissionais são usados durante todo o processo de auditoria de conformidade para avaliar os elementos da auditoria, o objeto, a adequação dos critérios, o escopo da auditoria, o risco, a materialidade e os procedimentos de auditoria a serem usados em reposta aos riscos definidos.
Certa, porque julgamento e ceticismo profissionais permeiam toda a auditoria de conformidade.
- D)O auditor é responsável pela realização da auditoria e deve implementar procedimentos de controle de qualidade durante todo o processo de auditoria, visando assegurar que a auditoria seja realizada em conformidade com as normas aplicáveis e que o relatório, a conclusão ou a opinião de auditoria sejam apropriados, dadas as circunstâncias.
Certa, pois o auditor deve aplicar procedimentos de controle de qualidade ao longo de todo o trabalho para garantir aderência às normas.
Gabarito: A
A NBASP 400, que trata dos princípios de auditoria de conformidade, trabalha com a ideia de que o auditor busca reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente baixo, mas nunca a zero. Isso faz sentido porque auditoria não é bola de cristal: sempre existe algum grau de limitação, seja pela amostragem, pela natureza da evidência ou pelas próprias circunstâncias do objeto auditado. Por isso, falar em risco nulo já acende o alerta de prova. Outro ponto importante é que a norma reforça o uso de julgamento profissional e ceticismo profissional ao longo de toda a auditoria. Esses elementos ajudam o auditor a decidir sobre materialidade, critérios, escopo, riscos e procedimentos. Em outras palavras, o auditor não trabalha no piloto automático: ele interpreta, avalia e ajusta sua estratégia de acordo com o caso concreto. A alternativa A erra justamente ao afirmar que a auditoria deve ser conduzida para reduzir o risco a nível nulo. O conceito correto é de redução a um nível aceitavelmente baixo, e não zero. Além disso, a própria definição de risco de auditoria está ligada à possibilidade de o relatório, a conclusão ou a opinião serem inadequados às circunstâncias, o que reforça que sempre há uma margem residual de risco. Já as demais alternativas estão alinhadas à lógica da NBASP 400: materialidade depende de julgamento profissional e da relevância para os usuários; julgamento e ceticismo orientam toda a auditoria; e cabe ao auditor assegurar controle de qualidade para que o trabalho seja conduzido conforme as normas aplicáveis e produza resultado apropriado.