Durante a realização de auditoria na Cia. Quero-Quero, o auditor compara os saldos de Duplicatas a Receber registrados nos Balanços Patrimoniais de 2021 e 2022, e percebe que há uma flutuação anormal no saldo, em comparação com a Receita Líquida de Vendas do mesmo período. Então, ele questiona informalmente o contador da entidade, para entender as possíveis causas da oscilação. No caso descrito, com base nas normas de auditoria vigentes, o auditor executou os seguintes procedimentos:
- A)Observação e entrevista.
Errada, porque observação é acompanhar a execução de um processo ou procedimento, e entrevista não é o termo técnico mais preciso usado na norma para esse contato informal.
- B)Averiguação e indagação.
Errada, porque averiguação não é a nomenclatura normativa clássica de procedimento de auditoria, e a situação descrita não corresponde a essa técnica.
- C)Inspeção e confirmação externa.
Errada, porque inspeção e confirmação externa são outros procedimentos, ligados a examinar documentos/ativos e obter resposta de terceiros, o que não ocorreu aqui.
- D)Procedimentos analíticos e indagação.
Certa, porque a comparação de saldos e receitas é procedimento analítico e o questionamento ao contador é indagação.
Gabarito: D
A questão mistura dois procedimentos de auditoria bem clássicos: procedimentos analíticos e indagação. Primeiro, o auditor compara saldos e identifica uma flutuação anormal em Duplicatas a Receber em relação à Receita Líquida de Vendas. Isso é o coração dos procedimentos analíticos: avaliar informações financeiras por meio de estudo de relações plausíveis entre dados financeiros e não financeiros, buscando variações inesperadas que merecem investigação. A NBC TA 520 trata exatamente disso: o auditor usa análises para formar conclusões e apontar áreas de risco ou distorção relevante. Depois, ao questionar informalmente o contador sobre as causas da oscilação, ele faz indagação. Pela NBC TA 500 e pela prática de auditoria, indagação é a obtenção de informações de pessoas com conhecimento, dentro ou fora da entidade, por meio de perguntas. Ou seja, o auditor analisou os números e, na sequência, foi conversar para entender o que estava por trás da variação. Simples assim, sem drama e sem mágica. Por isso o gabarito é a letra D. Não houve observação de fato físico, nem confirmação externa com terceiros, nem inspeção de documentos específicos. O que houve foi análise de tendência/razão entre contas e receita, seguida de pergunta ao contador. Em concursos, esse tipo de combinação costuma ser cobrada para você não confundir "olhar os números" com "ir atrás da explicação".