O diretor de uma sociedade anônima realizou despesas pessoais com recursos financeiros da empresa e determinou que a contrapartida dessa saída de caixa fosse o lançamento na conta Duplicatas a receber de determinado cliente, escolhido aleatoriamente. Ao deparar-se com essa situação hipotética, e após ter a confirmação negada pelo cliente aleatoriamente escolhido, o auditor deverá concluir pela existência de um
- A)estoque oculto.
Errada, porque não há referência a mercadorias, produção ou controle físico de bens, mas sim a um lançamento indevido em contas a receber.
- B)passivo oculto.
Errada, porque passivo oculto é obrigação não registrada, e aqui o problema é a criação de um recebível inexistente.
- C)passivo fictício.
Errada, porque passivo fictício é uma dívida registrada sem existir, e o enunciado fala de lançamento em duplicatas a receber.
- D)ativo oculto.
Errada, porque estoque oculto é mercadoria não contabilizada, o que não tem relação com a saída de caixa e a falsa conta de clientes.
- E)ativo fictício.
Certa, porque a empresa registrou um direito a receber sem suporte real, caracterizando ativo fictício.
Gabarito: E
Aqui a ideia central é simples: quando a empresa tira dinheiro do caixa para pagar despesa pessoal do administrador e, para “tampar o buraco”, lança esse valor em uma conta de clientes que não existe ou não corresponde a um crédito real, ela está inflando o ativo sem lastro. Em auditoria, isso é típico de ativo fictício: uma conta do ativo é registrada como se houvesse direito a receber, mas a confirmação com o suposto cliente não se sustenta. Perceba a lógica da fraude: o caixa saiu de verdade, mas a contrapartida foi jogada em duplicatas a receber para parecer que a empresa tem mais créditos do que realmente tem. Ou seja, o balanço mostra um recebível “fantasma”. Isso é bem diferente de estoque, que envolve mercadorias, e de passivo, que envolve obrigações da empresa com terceiros. Na prática de auditoria, a negativa de confirmação externa é um sinal forte de inconsistência na existência do crédito. A confirmação de saldos é um procedimento clássico justamente para testar existência e direitos sobre ativos. Se o cliente nega a operação, o auditor conclui que aquele valor lançado em duplicatas não tem suporte econômico real. Por isso o gabarito é a letra E. Em termos contábeis e de auditoria, a situação descreve a criação de um ativo inexistente no balanço, e não uma dívida escondida ou um estoque maquiado. A lógica da fraude aqui é “sumiu dinheiro, apareceu cliente na papelada”.