Após a data das demonstrações contábeis e antes da emissão do relatório do auditor independente, o auditor tomou conhecimento que um dos principais clientes da empresa havia entrado com pedido de falência. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.
- A)O auditor não deve fazer nada, já que o fato ocorreu após a data das demonstrações contábeis.
Errada, porque eventos ocorridos após o balanço podem exigir avaliação e até ajuste das demonstrações, se revelarem condição existente na data-base.
- B)O auditor deve incluir uma ressalva no seu relatório em relação a esse fato, mesmo quando a administração da empresa ajusta as demonstrações contábeis auditadas.
Errada, porque ressalva não é a primeira resposta automática e, além disso, se a administração ajustar as demonstrações, não faz sentido manter ressalva por esse motivo.
- C)O auditor deve avaliar o impacto do evento nas demonstrações auditadas e solicitar à empresa o ajuste das demonstrações, caso conclua que os valores a receber estavam superestimados na data do balanço.
Certa, pois o auditor deve analisar se o pedido de falência evidencia inadimplência ou perda já existente na data do balanço e, nesse caso, exigir ajuste dos valores a receber.
- D)O auditor deve solicitar que a empresa divulgue, nas notas explicativas, a natureza do evento e a estimativa de seu efeito financeiro.
Errada, porque a mera divulgação em notas explicativas é para eventos que não geram ajuste; aqui o fato pode indicar necessidade de reconhecimento contábil de perda.
- E)O auditor deve solicitar à empresa o ajuste somente nas demonstrações relativas ao exercício em que o fato efetivamente ocorreu.
Errada, porque o ajuste não fica restrito ao exercício em que o fato ocorreu depois; se o evento afeta a posição patrimonial já encerrada, o ajuste é nas demonstrações auditadas.
Gabarito: C
Em auditoria, nem todo fato que acontece depois do balanço pode ser ignorado. Se o evento surge entre a data das demonstrações contábeis e a data do relatório do auditor, voce precisa avaliar se ele traz evidência sobre algo que já existia no encerramento do exercício. Isso é a lógica dos eventos subsequentes, tratada na NBC TA 560 e, no plano contábil, na NBC TG 24 (evento subsequente). No caso da falência de um grande cliente, o ponto central é simples: essa informação pode mostrar que os valores a receber estavam superestimados na data do balanço, por exemplo porque já havia sinais de deterioração do crédito antes do encerramento. Se o fato confirma condição existente na data-base, o tratamento correto é pedir ajuste nas demonstrações contábeis. Nada de fingir que o problema nasceu depois, porque o balanço não é uma foto com filtro mágico. Por isso o gabarito é a letra C. O auditor deve avaliar o impacto do evento e solicitar ajuste quando concluir que o ativo estava registrado por valor acima do recuperável na data do balanço. Se a administração não ajustar, aí o assunto pode repercutir no relatório do auditor, mas a primeira providência é a avaliação e o pedido de ajuste. Em resumo: evento depois do balanço pode sim mexer no que foi registrado antes, desde que revele condição já existente na data das demonstrações. O foco da banca costuma ser exatamente esse: distinguir evento que exige ajuste de evento que exige apenas divulgação.