De acordo com a Carta de Lausanne (ICOMOS/ICAHM, 1990), a proteção do patrimônio arqueológico, em âmbito global, exige conhecimentos de distintas naturezas. Conforme estabelecido pela Carta, assinale a opção que indica corretamente ações relacionadas ao patrimônio arqueológico e seus princípios.
- A)A escavação deve ser preferencialmente realizada em sítios e monumentos que não estejam condenados à destruição, pois a intervenção pode agravar seu estado.
Errada, porque a Carta recomenda que a escavação seja excepcional e prioritariamente voltada a sítios ameaçados ou que não possam ser preservados in situ, e não o contrário.
- B)A preservação deve ser necessariamente integral, pois todos os bens arqueológicos são significativos e representativos do passado.
Errada, porque a preservação não é necessariamente integral em todos os casos; a Carta admite critérios de prioridade e seleção, já que nem todo vestígio pode ou deve ser mantido da mesma forma.
- C)A conservação do patrimônio arqueológico em instituições científicas deve ser o objetivo fundamental, pois seu traslado do local original protege-o de pilhagens e danos.
Errada, porque retirar o material do local original não é o objetivo fundamental da conservação, já que o contexto arqueológico é parte essencial do bem e a preservação no local é preferível sempre que possível.
- D)A reconstituição deve ser realizada sobre os vestígios arqueológicos originais, pois assim preserva-se sua autenticidade.
Errada, porque a reconstituição não deve ser feita livremente sobre vestígios originais, pois isso pode comprometer a autenticidade e deve obedecer a critérios de mínima intervenção e reversibilidade.
- E)A apresentação ao grande público deve consistir na popularização do conhecimento científico atualizado sobre o bem arqueológico, pois assim contribui para sua divulgação.
Certa, porque a Carta de Lausanne valoriza a apresentação ao público como divulgação do conhecimento científico atualizado, em linguagem acessível e com finalidade educativa e de proteção do patrimônio.
Gabarito: E
A Carta de Lausanne, aprovada pelo ICOMOS/ICAHM em 1990, trata o patrimônio arqueológico como um bem frágil e não renovável. A ideia central é simples: antes de sair escavando, pense se isso é mesmo necessário, porque toda intervenção arqueológica destrói parte do contexto original. Por isso, a escavação não é um hobby de campo, mas uma medida excepcional, feita com método, registro rigoroso e justificativa científica. Outro ponto importante é que a Carta não defende soluções automáticas do tipo “tirar tudo do lugar para proteger”. Em arqueologia, o valor não está só no objeto, mas também no contexto, na relação entre os vestígios e o solo, no ambiente e nas associações. Então, conservar em museu ou instituto pode ser útil em certos casos, mas não substitui a preservação in situ como regra geral. A Carta também fala da divulgação pública. O patrimônio arqueológico não deve ficar restrito a especialistas em uma torre de marfim. A apresentação ao grande público deve traduzir o conhecimento científico de forma atualizada, acessível e responsável, para reforçar a valorização social do bem e ajudar na sua proteção. Em concurso, quando aparecer a palavra “apresentação”, pense em educação patrimonial, comunicação correta e popularização do conhecimento, não em simplificação grosseira. Por isso, o gabarito é a letra E: a Carta de Lausanne associa a apresentação ao público à difusão do conhecimento científico atualizado sobre o patrimônio arqueológico. Isso está alinhado com a lógica da própria Carta, que combina संरक्षण, estudo e socialização do conhecimento, sempre respeitando a autenticidade e o contexto dos vestígios.