A gênese da ciência Arqueologia no Brasil remonta à passagem do século XVIII para o XIX. Desde então, a história da disciplina reflete seus diferentes contextos históricos de pesquisa e produção do conhecimento. As afirmativas a seguir apresentam corretamente aspectos da trajetória histórica da Arqueologia no país, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)No século XVIII, as excursões de naturalistas estrangeiros para a Amazônia inauguraram uma abordagem científica iluminista na descrição da fauna, da flora, dos nativos e de sua cultura material.
Certa: as expedições de naturalistas estrangeiros no século XVIII tiveram papel importante na descrição científica da Amazônia e de seus vestígios materiais.
- B)A partir do século XIX, a criação de museus de história natural, como o Museu Real do Rio de Janeiro, o Museu Paraense de Belém e o Museu Paulista, foi decisiva para o desenvolvimento da Arqueologia no país.
Certa: museus como o Museu Real, o Museu Paraense e o Museu Paulista foram centrais para a consolidação da Arqueologia no Brasil.
- C)Nas primeiras décadas do século XX, a tradição marxista, que influenciou a formação das ciências sociais na América Latina, fundamentou a ciência arqueológica no Brasil, destacando a importância da materialidade histórica.
Errada: a Arqueologia brasileira não se fundamentou, nas primeiras décadas do século XX, em uma tradição marxista como base formadora da disciplina.
- D)Na segunda metade do século XX, missões arqueológicas francesas exerceram forte influência na formação científica de uma geração de arqueólogos e no desenvolvimento de métodos científicos mais rigorosos.
Certa: missões arqueológicas francesas influenciaram métodos, formação de pesquisadores e a consolidação científica da área no país.
- E)No século XXI, o uso de novas tecnologias de campo, como drones para captura de imagens de áreas de difícil acesso, e laboratoriais, como a análise de DNA antigo, tem sido fundamental para obter informações mais precisas.
Certa: no século XXI, tecnologias como drones e análises de DNA antigo têm ampliado bastante a precisão das pesquisas arqueológicas.
Gabarito: C
A Arqueologia no Brasil nasce no fim do século XVIII e ganha corpo ao longo do século XIX, muito ligada a naturalistas, viajantes, museus e coleções. No começo, o interesse era descrever a natureza, os povos indígenas e seus vestígios materiais, tudo com aquele olhar iluminista de inventariar o mundo. Depois, os museus de história natural e as instituições científicas deram mais fôlego à área, ajudando a organizar acervos, pesquisas e métodos. No século XX, a Arqueologia brasileira foi se profissionalizando e se abrindo para influências externas, inclusive missões estrangeiras e novas técnicas de escavação e análise. Mais tarde, já no século XXI, entram em cena recursos como drones, sensoriamento remoto e DNA antigo, que deixaram a investigação bem mais precisa. A disciplina foi saindo do gabinete e indo para o campo, e depois do campo para o laboratório também. O gabarito é a letra C porque ela exagera e desloca historicamente a influência marxista. Nas primeiras décadas do século XX, a Arqueologia no Brasil não foi fundada por uma tradição marxista; essa corrente teve impacto mais forte em outros campos das ciências sociais e em leituras posteriores da cultura material, não como base original da disciplina no país. Ou seja, a frase até parece sofisticada, mas historicamente tropeça bonito. Então, se a questão pergunta pela exceção, a ideia é identificar a alternativa que mistura períodos e atribui à Arqueologia brasileira uma matriz teórica que não foi a sua origem.