Com base na Carta do Restauro (1972), documento do Ministério da Instrução Pública/Governo da Itália, assinale a opção que indica um procedimento correto para restauração de obras de arte.
- A)A alteração do conjunto ambiental da obra, com o propósito de facilitar sua acessibilidade.
Errada, porque a alteração do conjunto ambiental não pode ser feita livremente para atender conveniência de acesso, já que a preservação do contexto também integra o bem cultural.
- B)A alteração das pátinas e vernizes, com o propósito de revelar o estrato da cor da matéria original.
Errada, porque a remoção de pátinas e vernizes só se admite com extrema cautela e sem comprometer a autenticidade da obra, não para “revelar” o original a qualquer custo.
- C)A anastilose documentada com segurança, com o propósito de recompor obras que estejam fragmentadas.
Certa, porque a anastilose, quando documentada com segurança, é um procedimento admitido para recompor obras fragmentadas com base em seus elementos originais.
- D)A demolição da obra arruinada, com o propósito de devolverlhe o seu formato autêntico.
Errada, porque a demolição de obra arruinada contraria a lógica do restauro, que busca conservar e recuperar, não eliminar para recriar um formato supostamente autêntico.
- E)O aditamento de estilo, com o propósito de reestabelecer integralmente o aspecto da obra.
Errada, porque o aditamento de estilo é justamente uma intervenção fantasiosa, incompatível com a preservação da autenticidade e com a restauração histórica.
Gabarito: C
A Carta do Restauro, de 1972, é um documento clássico da preservação italiana e reforça uma ideia central: restaurar não é reinventar a obra, nem apagar sua história para deixá-la “bonitinha” demais. O foco é conservar a autenticidade, respeitar a matéria original, as marcas do tempo e evitar intervenções invasivas ou fantasiosas. Em vez de uma “cirurgia estética”, o restauro deve ser tecnicamente justificável, documentalmente seguro e o menos agressivo possível. Por isso, a alternativa correta é a C: a anastilose documentada com segurança. Anastilose é a recomposição de uma obra ou conjunto arquitetônico fragmentado por meio da reintegração de suas partes originais, quando isso pode ser feito com base em dados seguros. É uma técnica aceita justamente porque não inventa elementos novos à vontade, mas reorganiza o que já existe com fundamento documental. As outras opções fogem dessa lógica. A Carta do Restauro rejeita alterações para facilitar acesso, remoções indevidas de pátina, demolição de ruínas e aditamentos de estilo que falsificam a obra. Em linguagem de concurso: restauro sério respeita a verdade histórica do bem cultural, não faz maquiagem pesada.