Sobre a conservação dos acervos arqueológicos, leia o trecho a seguir. O reconhecimento dos materiais que compõem as coleções arqueológicas, bem como de suas peculiaridades de envelhecimento e vulnerabilidade aos agentes de degradação, é fundamental aos profissionais que trabalham em museus, arquivos e casas históricas: acervos orgânicos e inorgânicos são sensíveis em graus distintos aos fatores externos e às predisposições internas de degradação. Adaptado de SOUZA, L.A.; FRONER, A-Y. Reconhecimento de materiais que compõem acervos. Belo Horizonte: EBA/UFMG, 2008, p. 3. Considerando a conservação preventiva de coleções arqueológicas, assinale a opção que indica os meios corretos para a conservação de cada material, de acordo com seus riscos específicos.
- A)Os materiais celulósicos possuem tendência à variação dimensional devido à absorção de água, sendo necessário mantê-los fora de exposição e em ambiente sempre com níveis altos de acidez.
Errada: materiais celulósicos sofrem com umidade e acidez, mas não devem ser mantidos em ambiente com níveis altos de acidez, e sim em condições controladas e estáveis.
- B)Os objetos metálicos possuem tendência à oxidação, sendo necessário protegê-los de poluentes ambientais e de substâncias químicas presentes em materiais de limpeza para evitar a corrosão.
Certa: metais são suscetíveis à oxidação e à corrosão, por isso precisam ser protegidos de umidade, poluentes e substâncias químicas agressivas.
- C)Os materiais anisotrópicos, como o marfim, possuem tendência à porosidade, sendo necessário seu armazenamento em ambientes com umidade controlada para não quebrarem.
Errada: marfim não é material anisotrópico por essa lógica da questão, e o problema principal não é porosidade, mas variações ambientais que podem causar fissuras e deformações.
- D)Os materiais inorgânicos possuem substâncias com carbono em sua estrutura química, sendo necessário que a limpeza seja realizada por um profissional qualificado para evitar sua descoloração.
Errada: materiais inorgânicos não têm necessariamente carbono em sua estrutura química, e a limpeza especializada é uma boa prática, mas a justificativa apresentada está incorreta.
- E)Os materiais líticos possuem baixa resistência física e podem sofrer alterações em sua constituição devido à exposição de luz, sendo necessário armazená-los em um ambiente protegido da iluminação para evitar sua desintegração.
Errada: materiais líticos, em geral, têm boa resistência física e não são tipicamente sensíveis à luz como principal fator de desintegração.
Gabarito: B
Na conservação preventiva de acervos arqueológicos, a ideia central é simples: cada material reage de um jeito ao ambiente, então não existe uma solução única para tudo. O que protege um objeto cerâmico pode ser ruim para um metal, e o que é inofensivo para pedra pode destruir papel, couro ou madeira. Por isso, o primeiro passo é reconhecer a natureza do material e seus principais agentes de deterioração: umidade, luz, poluentes, poeira, variações de temperatura, insetos e manuseio inadequado. Os materiais orgânicos, como madeira, fibras e papel, costumam ser mais sensíveis à umidade, fungos e insetos; já os inorgânicos, como metais e algumas pedras, respondem mais a processos físico-químicos, especialmente corrosão, fissuras e sais. Em conservação preventiva, o foco não é “consertar” o objeto, mas criar condições estáveis para que ele se degrade o mínimo possível. É a famosa lógica do museu: menos improviso, mais controle. O gabarito é a letra B porque os objetos metálicos realmente têm tendência à oxidação e à corrosão, sobretudo quando expostos à umidade, poluentes atmosféricos e certos agentes químicos presentes em produtos de limpeza. Por isso, a proteção deve incluir armazenamento adequado, controle ambiental e evitar contato com substâncias agressivas. Essa é uma orientação clássica da museologia e da conservação de acervos, amplamente aceita na doutrina técnica de conservação preventiva. As demais alternativas misturam conceitos. Algumas trocam propriedades dos materiais, outras atribuem riscos errados ou medidas inadequadas. Em prova, a banca costuma cobrar exatamente esse casamento entre material e ameaça: não basta saber o nome do objeto, você precisa saber o que o corrói, o que o deforma e o que o preserva.