Leia o trecho a seguir. A metodologia do ataque em “superfícies amplas”, preconizada por Leroi-Gourhan e adaptada por Luciana Pallestrini nos sítios arqueológicos do Estado de São Paulo, foi sucessivamente utilizada em vários outros Estados do Brasil: No Rio de Janeiro por Kneip, no Piauí por Maranca e em Goiás por Andreatta. Adaptado de PALLESTRINI, L. “Superfícies amplas” em arqueologia pré-histórica no Brasil, in: Revista de Arqueologia, 1, 1983, p. 7-18. Considerando o trecho, é correto afirmar que a metodologia do ataque em superfícies amplas compreende
- A)a não intervenção na vegetação que recobre os vestígios do sítio arqueológico, com a necessidade de traçar uma linha divisória para organizar os achados de ambos os lados, de forma padronizada em todos os sítios.
Errada, porque o método exige ampla abertura da área e intervenção planejada na superfície, e não a não intervenção na vegetação nem um traçado divisório padronizado.
- B)o planejamento de trincheiras a partir de perfis, com o objetivo de realizar uma prospecção superficial e moderada da primeira camada escavada do sítio.
Errada, porque trincheiras e perfis remetem a escavações mais lineares e prospectivas, não ao ataque extensivo de grandes superfícies.
- C)a análise do sítio a partir da redução da amplitude de visão, com o objetivo de obter uma perspectiva mais detalhada e focada de um ângulo específico da área a ser escavada.
Errada, porque o método faz exatamente o contrário: amplia a visão da área para leitura global, em vez de reduzir o campo de observação.
- D)a evidenciação integral das estruturas do sítio capazes de, em sua totalidade, reconstruir uma instalação do passado, considerando o conteúdo global dos vestígios presentes.
Certa, porque o ataque em superfícies amplas busca expor integralmente as estruturas e ler o sítio como um conjunto, reconstruindo a ocupação passada.
- E)a delimitação da decapagem, com abrangência na área total do sítio, proporcionando uma visão geral da superfície a ser escavada.
Errada, porque a simples delimitação da decapagem não expressa o objetivo principal do método, que é a exposição ampla e a interpretação global dos vestígios.
Gabarito: D
A metodologia do ataque em “superfícies amplas” é uma forma de escavação que busca abrir grandes áreas do sítio, e não apenas fazer cortes estreitos ou sondagens pontuais. A ideia, inspirada em Leroi-Gourhan e muito usada por Luciana Pallestrini no Brasil, é revelar a organização espacial dos vestígios, como fogueiras, estruturas, manchas de solo, áreas de descarte e outras evidências que fazem sentido quando vistas em conjunto. Pense assim: em vez de olhar o sítio por “janelas pequenas”, o arqueólogo tenta enxergar o “quadro inteiro”. Isso permite compreender melhor como o espaço foi ocupado e usado no passado. Em sítios arqueológicos, sobretudo os pré-históricos, a leitura da disposição global dos materiais costuma ser mais importante do que a simples coleta de peças isoladas. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ela descreve justamente a evidenciação integral das estruturas do sítio, considerando o conteúdo global dos vestígios presentes. Esse é o espírito do método de superfícies amplas: expor o máximo possível da área para reconstruir a instalação e a dinâmica de ocupação antiga. As demais alternativas fogem da lógica do método, porque falam em intervenção mínima, trincheiras, redução do campo de visão ou mera delimitação de decapagem sem destacar a leitura integrada do conjunto. Em arqueologia, contexto é tudo: um fragmento sozinho conta uma história, mas o sítio inteiro conta o enredo.