No que diz respeito ao controle biológico de pragas, julgue se as afirmações abaixo são verdadeiras e em seguida assinale a alternativa CORRETA: I. Dentre os inimigos naturais das moscas-das-frutas destaca-se o parasitóide Diachasmimorpha longicaudata (Hymenoptera: Braconidae). Esse parasitóide oviposita no último instar larval das moscas-das-frutas e completa seu desenvolvimento no pupário do hospedeiro. II. O programa de controle biológico dos percevejos da soja por meio da utilização de T. basalis conta com a multiplicação desse agente no próprio campo, e por isso é fundamental que seja liberado quando a população de percevejos ainda é baixa (menor que os níveis de ação), respeitando o período indicado para liberação. III. No controle biológico aumentativo, os inimigos naturais são periodicamente introduzidos e liberados, após a criação massal em laboratório. Quando na Liberação inoculativa, os inimigos naturais são liberados em número limitado, ou seja, somente um pequeno número é liberado, com objetivo de supressão em longo prazo da população da praga. É aplicado em culturas perenes ou semiperenes e florestas. É típica do controle biológico clássico.
- A)Somente as afirmações I e II são verdadeiras.
Esta alternativa afirma que somente as assertivas I e II estão corretas. O conteúdo bate com o enunciado: Diachasmimorpha longicaudata é mesmo um parasitoide larval-pupal de moscas-das-frutas, e Telenomus basalis é usado na soja com liberação precoce, quando a população da praga ainda está baixa, para favorecer sua multiplicação no campo. A assertiva III é que compromete as demais combinações, porque confunde liberação inoculativa, que é técnica do controle biológico aumentativo, com controle biológico clássico.
- B)Somente as afirmações I e III são verdadeiras.
Aqui se sustenta que as assertivas I e III seriam as verdadeiras. A primeira está correta, mas a terceira erra ao dizer que a liberação inoculativa é típica do controle biológico clássico, pois essa modalidade pertence ao controle aumentativo, com criação massal e liberação em pequenas quantidades para persistência e supressão prolongada. O erro é de classificação técnica, já que o controle clássico envolve introdução e estabelecimento permanente de um inimigo natural, e não essa lógica de liberação inoculativa.
- C)Somente as afirmações II e III são verdadeiras.
Esta opção diz que apenas II e III estariam certas. Isso não se sustenta porque a assertiva I também é verdadeira ao descrever corretamente D. longicaudata como parasitoide de larvas de moscas-das-frutas que completa o desenvolvimento no pupario do hospedeiro. Além disso, a III continua incorreta pela mesma confusão entre liberação inoculativa e controle biológico clássico.
- D)as afirmações I, II e III são verdadeiras.
A alternativa afirma que as três assertivas seriam verdadeiras. As assertivas I e II, de fato, estão corretas ao tratar do parasitoide das moscas-das-frutas e do uso de T. basalis em soja com liberação antecipada, antes de a praga atingir nível de ação. Já a III erra ao enquadrar a liberação inoculativa como típica do controle biológico clássico, quando ela é uma estratégia do controle biológico aumentativo.
- E)as afirmações I, II e III não são verdadeiras.
Esta opção nega validade a todas as afirmativas. Isso contraria o conteúdo técnico, porque a assertiva I está correta ao caracterizar D. longicaudata, e a II também está correta ao indicar a liberação de T. basalis quando a população de percevejos ainda é baixa. Logo, não é possível afirmar que nenhuma das proposições seja verdadeira.
Gabarito: A
No controle biológico, a ideia é usar inimigos naturais para reduzir a praga sem depender só de inseticidas. Esses agentes podem ser parasitoides, predadores ou microrganismos, e cada um tem uma forma diferente de atuação. Em prova, a banca gosta de misturar conceitos de controle biológico clássico, inoculativo e aumentativo, então vale atenção redobrada. A afirmação I está correta: Diachasmimorpha longicaudata é um parasitoide importante de moscas-das-frutas. Ele oviposita na larva, normalmente em instares mais desenvolvidos, e o desenvolvimento do parasitoide continua no pupário do hospedeiro. Isso é exatamente o tipo de relação que costuma aparecer em controle biológico de tefritídeos. A afirmação II também está correta. No controle de percevejos da soja com Telenomus basalis, a liberação deve ocorrer no início da infestação, quando a população da praga ainda está baixa, para que o parasitoide consiga se multiplicar e acompanhar o crescimento do hospedeiro. A lógica é sair na frente, e não correr atrás do prejuízo. Já a III mistura conceitos. O controle biológico aumentativo realmente envolve criação massal e liberação periódica, mas a descrição da liberação inoculativa não está adequada: ela usa número pequeno de inimigos naturais para que eles se multipliquem no ambiente, porém isso é associado ao controle biológico clássico em sentido mais amplo, e não à ideia de liberação repetida típica do aumentativo. Por isso, o gabarito é a letra A, porque somente I e II são verdadeiras.