Medir a fixação líquida de CO2 em folhas intactas com fluxo de fótons crescente permite construir curvas de resposta à luz que fornecem informações úteis sobre as propriedades fotossintéticas das folhas. No escuro, não há assimilação fotossintética de carbono, e em vez disso, o CO2 é emitido pela planta devido à respiração mitocondrial. Por convenção, a assimilação de CO2 é negativa nesta parte da curva de resposta à luz. À medida que o fluxo de fótons aumenta, a assimilação fotossintética de CO2 aumenta linearmente até igualar a liberação de CO2 pela respiração mitocondrial. O ponto em que a captação fotossintética de CO2 equilibra a liberação de CO2 é chamado de ponto de compensação de luz. No entanto, o fluxo de fótons em que folhas atingem o ponto de compensação de luz varia com as espécies e condições de desenvolvimento. A figura abaixo mostra curvas de resposta à luz da fixação de carbono fotossintético em uma planta de sol (linha contínua - Atriplex triangularis) e plantas de sombra (linha pontilhada - Asarum caudatum). Sobre o comportamento dessas plantas, assinale a afirmativa correta.
- A)Normalmente, as plantas de sombra têm um ponto de compensação de luz elevado e têm taxas máximas de fotossíntese mais baixas do que as plantas de sol.
Errada, porque plantas de sombra normalmente têm ponto de compensação luminosa baixo, não elevado, embora realmente costumem apresentar menor taxa máxima de fotossíntese que plantas de sol.
- B)Normalmente, as plantas de sombra têm um ponto de compensação de luz baixo e têm taxas máximas de fotossíntese mais baixas do que as plantas de sol.
Certa, pois plantas de sombra costumam atingir o ponto de compensação com menos luz e também apresentam menor taxa máxima de fotossíntese do que plantas de sol.
- C)Normalmente, as plantas de sombra têm um ponto de compensação de luz baixo e têm taxas máximas de fotossíntese mais elevadas do que as plantas de sol.
Errada, porque o ponto de compensação de luz das plantas de sombra é baixo, mas elas não superam as plantas de sol na taxa máxima de fotossíntese.
- D)Os valores de ponto de compensação para plantas de sombra são mais elevados porque as taxas de respiração em plantas de sombra são muito baixas, então pouca fotossíntese líquida é suficiente para trazer as taxas líquidas de troca de CO2 a zero.
Errada, porque o ponto de compensação das plantas de sombra não é mais elevado e a justificativa sobre respiração baixa não sustenta essa conclusão.
- E)Os valores de ponto de compensação para plantas de sombra são mais elevados porque as taxas de respiração em plantas de sombra são muito elevadas, então pouca fotossíntese líquida é suficiente para trazer as taxas líquidas de troca de CO2 a zero.
Errada, porque a lógica está invertida: não é a respiração elevada que explica ponto de compensação mais alto nas plantas de sombra.
Gabarito: B
A ideia central aqui é comparar plantas de sol e plantas de sombra pela resposta à luz. Em geral, plantas de sombra conseguem começar a fotossintetizar com pouca luz, então atingem o ponto de compensação luminosa mais cedo, isto é, com menor fluxo de fótons. Faz sentido: elas são mais “econômicas” na luz e costumam se adaptar melhor a ambientes sombreados. Já as plantas de sol precisam de mais luz para sair do saldo zero entre fotossíntese e respiração, mas, em compensação, conseguem atingir taxas máximas de fotossíntese mais altas quando a luz é abundante. É como se elas tivessem um motor que só rende mesmo com o acelerador bem pressionado. Por isso, a alternativa B está correta: plantas de sombra têm ponto de compensação de luz baixo e taxas máximas de fotossíntese mais baixas do que plantas de sol. Essa é uma relação clássica de fisiologia vegetal, sem pegadinha jurídica aqui, só a boa e velha adaptação ecológica mesmo. As demais opções trocam os conceitos ou invertem a lógica da respiração e da compensação luminosa. O ponto de compensação não sobe porque a planta de sombra respira mais; na verdade, ele tende a ser baixo porque essas plantas precisam de menos luz para equilibrar o CO2 perdido na respiração.