Plantas daninhas são indesejadas em virtude dos problemas que causam à produtividade agrícola, aos custos de produção, à manutenção da integridade de reservas ambientais, ao aumento dos riscos com acidentes em rodovias, ferrovias e hidrovias, à integridade de ambientes aquáticos e à geração de energia elétrica, entre outras importantes interferências. Em plantios florestais, a presença das plantas daninhas compromete o crescimento e o desenvolvimento das espécies arbóreas e pode contribuir para incêndios florestais dentre outros aspectos negativos. PITELLI, R.A. O termo planta-daninha. Planta Daninha, v. 33, 2015. Acerca do manejo integrado de plantas daninhas, assinale a afirmativa correta.
- A)Herbicidas não seletivos aplicados em culturas perenes de porte arbóreo podem ser aplicados, no pós-plantio, em área total, sem a necessidade de proteção das plantas.
Errada, porque herbicida não seletivo em cultura perene arbórea, no pós-plantio, em área total, exige proteção da planta cultivada para evitar fitotoxicidade.
- B)Índices fitossociológicos são importantes para analisar os impactos que os sistemas de manejo e as práticas agrícolas e florestais exercem sobre a dinâmica de crescimento, composição e ocupação de comunidades de plantas daninhas em sistemas de produção e áreas não agrícolas.
Certa, pois os índices fitossociológicos permitem analisar a dinâmica, a composição e a ocupação das comunidades de plantas daninhas sob diferentes manejos.
- C)Em plantios visando à restauração florestal do bioma Mata Atlântica, por meio de espécies nativas, o controle cultural de plantas daninhas é o método mais eficiente de supressão da matocompetição nos primeiros meses de implantação do povoamento.
Errada, porque o controle cultural ajuda muito, mas não pode ser tratado como o método mais eficiente de forma geral nos primeiros meses, quando a competição costuma exigir integração de métodos.
- D)A estratégia clássica de controle biológico de plantas daninhas baseia-se na multiplicação massal e em aplicações periódicas de patógeno, semelhante a aplicações de herbicidas, em que os agentes de biocontrole podem ser fungos (micoerbicidas ou bioerbicidas).
Errada, porque a descrição mistura estratégia clássica de controle biológico com uso repetido de patógenos em lógica parecida com herbicida, o que não corresponde ao conceito clássico.
Gabarito: B
O manejo integrado de plantas daninhas junta várias estratégias para reduzir a matocompetição sem depender de uma única solução. A ideia é combinar prevenção, controle cultural, mecânico, biológico e químico, escolhendo o que faz mais sentido para cada sistema de produção. Em outras palavras: não é “passar veneno e rezar”, é planejar o sistema inteiro. No manejo integrado, um ponto essencial é conhecer a comunidade infestante. É aí que entram os índices fitossociológicos, que ajudam a medir presença, dominância, frequência e importância relativa das espécies daninhas em uma área. Com isso, você entende quais plantas estão realmente pressionando o cultivo e como o manejo está alterando a dinâmica da infestação ao longo do tempo. Por isso a letra B está correta: esses índices são ferramentas importantes para analisar os impactos dos sistemas de manejo e das práticas agrícolas e florestais sobre a composição e a ocupação das comunidades de plantas daninhas. É uma abordagem bem típica de campo, porque permite comparar áreas, monitorar mudanças e decidir intervenções com mais precisão. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos. Há erro sobre segurança na aplicação de herbicidas em área total, exagero ao tratar controle cultural como o mais eficiente em qualquer cenário e confusão entre controle biológico clássico e o uso repetido de patógenos como se fossem herbicidas. No biológico clássico, a lógica é outra: busca-se o agente de controle que se estabeleça e se mantenha no ambiente, e não aplicações periódicas no estilo “tratamento de rotina”.