Solos arenosos são definidos como solos que possuem teor de areia superior a 50% associado a teor de argila inferior a 20% nos primeiros 30cm a partir da superfície, compreendendo, portanto, as classes texturais areia, areia franca e franco arenosa. Quanto à distribuição geográfica, esses solos ocupam aproximadamente 31% da superfície terrestre continental, com maior expressão na África, norte da Europa, sul da América do Sul e Oceania. No Brasil, os solos arenosos ocupam 8% do território nacional, com destaque para fronteira agrícola do Matopiba (compreendendo parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), representando 20% da área da região, o que aumenta a pressão de uso sobre esses solos. Do ponto de vista agrícola e ambiental esses solos possuem uma série de limitações que surgem como consequência intrínseca da textura arenosa. O predomínio de partículas de maior tamanho (fração areia) dificulta a formação de agregados do solo estáveis, tornando-os mais susceptíveis a erosão hídrica e eólica. Além disso, o predomínio de poros de maior tamanho (macroporos), confere baixa capacidade de retenção de água devido à alta permeabilidade, intensifica a decomposição da matéria orgânica do solo, e favorece a lixiviação de potássio e nitrato, causando contaminação da água subterrânea. Entre as práticas de manejo que visam a minimizar o impacto agrícola e ambiental do uso dos solos arenosos, é correto destacar
- A)o uso de plantas de cobertura na entressafra visando ao aumento do carbono orgânico do solo e à proteção do solo contra erosão, e o parcelamento da aplicação de fertilizantes visando a minimizar a lixiviação de nutrientes.
Correta: plantas de cobertura protegem o solo e aumentam carbono orgânico, e o parcelamento de fertilizantes reduz a lixiviação de nutrientes em solo arenoso.
- B)a realização de operações mecânicas de aração seguida de gradagem para favorecer a aeração do solo.
Errada: aração e gradagem aumentam o revolvimento, expõem o solo e tendem a intensificar erosão e perda de matéria orgânica.
- C)a aplicação de fertilizantes em dose única visando reduzir os custos operacionais.
Errada: aplicar fertilizante em dose única eleva o risco de lixiviação, o que é especialmente problemático em solos de alta permeabilidade.
- D)a utilização de fertilizantes com alta solubilidade favorecendo a absorção pelas plantas.
Errada: alta solubilidade pode até liberar nutrientes rapidamente, mas em solo arenoso isso favorece perdas por lixiviação antes da absorção pelas plantas.
- E)a aplicação de calcário de alto poder relativo de neutralização total (PRNT) posteriormente incorporado através da operação de gradagem para aumentar a eficiência da calagem.
Errada: a incorporação da calagem não resolve as principais limitações do solo arenoso e a gradagem pode aumentar degradação estrutural e erosão.
Gabarito: A
Solos arenosos são aqueles em que a areia domina a textura, o que deixa o solo mais “solto”, com menos agregação, menos retenção de água e maior risco de perda de nutrientes por lixiviação. Em outras palavras: é um solo que drena rápido, aquece fácil e também perde água e adubo com a mesma facilidade. Por isso, o manejo precisa ser esperto, porque nesse tipo de solo errar na estratégia custa caro. A lógica agronômica é simples: se o solo segura pouca água e tem baixa capacidade de reter nutrientes, você precisa proteger a superfície e reduzir perdas. O uso de plantas de cobertura na entressafra ajuda a manter o solo coberto, reduz erosão, aumenta aporte de resíduos e contribui para elevar o carbono orgânico do solo. Isso melhora a estrutura, favorece a atividade biológica e dá mais estabilidade ao sistema. Além disso, o parcelamento da adubação é uma medida clássica em solos arenosos, porque diminui a chance de o nutriente ser lavado pela chuva ou pela irrigação antes de ser aproveitado pelas plantas. Isso é especialmente importante para nutrientes móveis, como nitrato e, em muitos casos, potássio. A ideia é aplicar em doses menores e em momentos mais próximos da necessidade da cultura. As outras alternativas vão na direção oposta do que o solo pede: mais revolvimento, mais exposição, mais perda. Em solos arenosos, o manejo conservacionista costuma ser o caminho mais seguro. Então, a alternativa correta é a que combina cobertura do solo com manejo parcelado da adubação, porque ela ataca justamente os dois grandes problemas desse ambiente: erosão e lixiviação.