A erosão do solo pode ser definida como um processo de desagregação, transporte e deposição das partículas do solo, causada pela ação da água e do vento, e é intensificada pelas ações antrópicas e manejo inadequado, ameaçando a saúde do solo e os serviços ecossistêmicos. A erosão hídrica (mais atuante no Brasil) causa uma série de danos diretos e indiretos, como a redução da profundidade efetiva e da capacidade de armazenamento de água e a perda de nutrientes e matéria orgânica, entre outros. Nesse sentindo a adoção de práticas conservacionistas são fundamentais para sustentabilidade dos ecossistemas agrícolas. Em função da sua natureza, as práticas conservacionistas são divididas em vegetativas, edáficas e mecânicas. As práticas vegetativas usam a vegetação, tanto plantas vivas quanto a biomassa seca, para proteger o solo do impacto direto das gotas de chuva que causam a desagregação e o selamento superficial, além de proteger o solo na fase de transporte, pois reduz a velocidade da enxurrada. Assinale a opção que apresenta exemplos de práticas conservacionistas de caráter vegetativo.
- A)Manutenção da cobertura morta; terraceamento; e uso de plantas de cobertura.
Errada, porque terraceamento é prática mecânica, embora manutenção da cobertura morta e plantas de cobertura sejam vegetativas.
- B)Terraceamento; calagem; e uso de plantas de cobertura.
Errada, porque terraceamento é mecânica e calagem é edáfica, então não são todas vegetativas.
- C)Adubação mineral; cordões de vegetação permanente; e uso de plantas de cobertura.
Errada, porque adubação mineral é prática edáfica, apesar de cordões de vegetação permanente e plantas de cobertura serem vegetativas.
- D)Manutenção da cobertura morta; cordões de vegetação permanente; e uso de plantas de cobertura.
Certa, pois manutenção da cobertura morta, cordões de vegetação permanente e uso de plantas de cobertura são todas práticas conservacionistas vegetativas.
Gabarito: D
A ideia central aqui é separar as práticas conservacionistas pelo modo como elas protegem o solo. As vegetativas usam plantas vivas ou restos vegetais para amortecer o impacto da chuva, manter o solo coberto e diminuir a velocidade da enxurrada. Em outras palavras: menos batida da gota, menos desagregação, menos carreamento de partículas. Isso ajuda a reduzir erosão hídrica, preservar matéria orgânica e manter a capacidade de armazenar água. Entre os exemplos clássicos de práticas vegetativas estão a manutenção da cobertura morta, os cordões de vegetação permanente e o uso de plantas de cobertura. Todas elas funcionam porque criam uma barreira física e biológica sobre a superfície do solo, protegendo-o tanto na fase de desagregação quanto na de transporte. É uma lógica simples e eficiente: solo nu sofre mais, solo coberto sofre menos. Já terraceamento é prática mecânica, porque altera a forma do terreno para reduzir a velocidade da água e controlar o escoamento. Calagem e adubação mineral são práticas edáficas, pois atuam na correção e fertilidade do solo, não na cobertura vegetal. Ou seja, a banca quer que você classifique pelo efeito principal da prática, e não pelo nome bonito da técnica. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela reúne apenas práticas vegetativas: manutenção da cobertura morta, cordões de vegetação permanente e uso de plantas de cobertura. Todas se encaixam exatamente na definição dada no enunciado, com foco em proteção do solo pela vegetação e pela biomassa seca.