As hortaliças folhosas têm um acréscimo de consumo durante o verão. Porém, com o aumento das temperaturas médias e valores de precipitação, ocorrem condições mais favoráveis para o surgimento de doenças. No mês de janeiro, um engenheiro agrônomo foi chamado para realizar um diagnóstico em uma propriedade que cultiva alface (Lactuca sativa) e ele identificou os seguintes sintomas numa lavoura: “Plantas com manchas necróticas isoladas nos centros ou bordos do limbo foliar, podendo também atingir extensas áreas da nervura central. No início, as lesões apresentam encharcamento e coloração escura, passando, depois, à cor parda e preta, com a seca dos tecidos. Além disso, por sua experiência, o profissional sabe que esses sintomas não são causados por vírus. É de conhecimento, também, que, na região sudeste do Brasil, nas épocas chuvosas, em pouco tempo as plantas murcham e apodrecem. Para melhor controle dessa doença, recomenda-se rotação de culturas e utilizar plantas sadias.” Fonte: KIMATI, H. Manual de fitopatologia. v. 2. 4. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2011. 2v. (Ceres; IV). De acordo com os sintomas descritos, qual doença está atacando essa lavoura?
- A)Septoriose.
Errada: septoriose é uma doença fúngica, geralmente com manchas foliares mais típicas de fungo, não com encharcamento inicial tão marcante.
- B)Podridão de Sclerotinia ou Mofo Branco.
Errada: mofo branco em alface é causado por Sclerotinia e tende a formar podridão com micélio branco, não o padrão descrito de mancha bacteriana.
- C)Mancha Bacteriana.
Certa: os sintomas de lesões encharcadas que escurecem, com murcha e apodrecimento em clima quente e chuvoso, são típicos de mancha bacteriana.
- D)Mancha de Cercospora.
Errada: cercosporiose é fúngica e costuma produzir manchas foliares compatíveis com cercospora, mas o encharcamento inicial aponta mais para bactéria.
- E)Mildio.
Errada: mildio em alface causa lesões e esporulação características de oomyceto, não o quadro de necrose aquosa e apodrecimento descrito.
Gabarito: C
A questão descreve uma doença típica de alface causada por bactéria, e não por vírus, fungos ou deficiência nutricional. O detalhe mais importante é o conjunto de sintomas: manchas necróticas nas folhas, aspecto encharcado no início, escurecimento para pardo e preto e, em clima quente e chuvoso, evolução rápida para murcha e apodrecimento. Isso combina muito com mancha bacteriana da alface, que costuma piorar quando há umidade alta e temperaturas elevadas. Na prática, doenças bacterianas gostam de “festa em dia chuvoso”: a água ajuda a espalhar o agente, favorece a penetração e acelera a destruição do tecido. Por isso, o texto cita que, no sudeste e nas épocas chuvosas, as plantas murcham e apodrecem em pouco tempo. Esse comportamento é bem característico de bacterioses foliares e vasculares, e a recomendação de usar mudas sadias e fazer rotação de culturas também é bem compatível com esse tipo de problema. O gabarito C está correto porque a Mancha Bacteriana da alface produz lesões inicialmente aquosas, escuras e depois necróticas, podendo atingir nervuras e grandes áreas do limbo. Em questões de fitopatologia, quando aparecem palavras como encharcamento, escurecimento, murcha rápida e apodrecimento em período chuvoso, acenda a luz amarela para bactéria. A planta até “avisa”, só precisa saber ler os sinais. Resumo prático: vírus geralmente causam mosaico, deformações e cloroses; fungos costumam dar lesões mais secas, pústulas, mofo ou septorias mais pontuadas; já a bactéria entra forte com aspecto úmido, necrose escura e evolução acelerada.