No que se refere ao estudo e à utilização dos caracteres quantitativos no melhoramento de plantas, assinale a opção correta.
- A)A interação de dominância dificulta a seleção de indivíduos superiores, uma vez que a descendência desse indivíduo terá comportamento inferior a ele próprio.
Certa, porque a dominância pode mascarar alelos e fazer com que a progênie não mantenha o mesmo desempenho do genótipo selecionado.
- B)O estudo de caracteres quantitativos utiliza estatística, porque, via de regra, os fenótipos observados são obtidos por mensurações, havendo a possibilidade de identificar classes fenotípicas distintas, como no caso dos caracteres qualitativos.
Errada, porque caracteres quantitativos são mensurados em escala contínua e não se organizam, via de regra, em classes fenotípicas distintas como os qualitativos.
- C)Na interação alélica aditiva, a seleção é dificultada porque um indivíduo ou grupo de indivíduos superiores, quando selecionado, produzirá descendência inferior.
Errada, porque a ação aditiva favorece a seleção, já que os efeitos genéticos são mais previsíveis e tendem a ser transmitidos à descendência.
- D)O efeito acentuado do ambiente facilita o estudo dos caracteres quantitativos, citando-se a produtividade, a altura e o peso.
Errada, porque o forte efeito ambiental dificulta o estudo e a seleção dos caracteres quantitativos, em vez de facilitar.
- E)Quando um caráter é controlado por um gene com dois alelos na geração F2, são produzidos dois fenótipos distintos independentemente da interação alélica e da ação do meio ambiente.
Errada, porque mesmo com um gene e dois alelos na F2, a expressão fenotípica depende da interação alélica e pode ser influenciada pelo ambiente.
Gabarito: A
Em melhoramento de plantas, caracteres quantitativos são aqueles que variam em grau, como produtividade, altura e peso. Eles costumam ser controlados por muitos genes e sofrem forte influência do ambiente, por isso o estudo deles usa estatística: média, variância, herdabilidade e correlações ajudam a separar o que vem da genética do que vem do ambiente. Aqui a lógica é sempre desconfiar do que você vê no campo, porque o fenótipo nem sempre conta a história toda. O ponto central da questão é a interação alélica. Na dominância, um alelo pode “esconder” o efeito do outro no heterozigoto, mas esse efeito não fica fixo na descendência, porque na segregação os descendentes podem perder essa combinação favorável. Assim, um indivíduo superior por dominância pode gerar progênie menos favorável do que ele próprio, o que dificulta a seleção direta. É exatamente essa a ideia cobrada na alternativa A. Já na ação aditiva, os efeitos dos alelos somam de forma mais estável. Por isso, ela é a base mais útil para seleção: o que você escolhe tende a ser mais previsível na geração seguinte. Em termos práticos, o melhorista gosta muito da aditividade porque ela “leva o mérito genético para a frente”. Não existe fundamento legal específico para esse conteúdo, porque se trata de genética quantitativa aplicada ao melhoramento vegetal, e não de matéria jurídica. O raciocínio vem da genética clássica e da genética quantitativa ensinada em melhoramento de plantas.