Neste artigo
Para montar um simulado em casa, junte questões no formato da sua banca cobrindo as matérias do edital, defina a mesma quantidade e o mesmo tempo da prova oficial, monte uma folha de respostas simples e resolva tudo de uma vez, cronometrado e sem consultar nada. Depois corrija com o gabarito comentado e classifique cada erro. O simulado caseiro custa zero e vale tanto quanto um pago, desde que você reproduza as condições reais da prova e leve a correção a sério.
A maioria dos candidatos acha que precisa de um curso ou de uma plataforma cara para simular a prova. Não precisa. Com as questões certas, um cronômetro e disciplina, você monta em casa um treino tão fiel quanto o da sala de aula. O que separa o simulado útil do inútil não é onde você faz, é o quanto ele se parece com o dia oficial e o que você faz com o resultado.
O que você precisa para montar o simulado
Antes de resolver a primeira questão, separe quatro coisas. Nenhuma delas exige gastar dinheiro.
- Questões no estilo da sua banca, cobrindo as matérias do edital, com gabarito comentado (o comentário é o que faz a correção render).
- Um cronômetro, o do celular serve, desde que o aparelho fique longe e no modo avião pelo resto do tempo.
- Uma folha de respostas em branco, para marcar como você vai marcar no dia.
- Um lugar silencioso onde ninguém vai interromper você pelas próximas horas.
O erro mais comum é começar sem definir a quantidade de questões e o tempo. Sem esses dois números, você não montou um simulado, montou uma lista de exercícios. E lista de exercícios treina fixação, não prova.
Passo a passo para montar o simulado em casa
Siga esta ordem. Ela evita que você improvise no meio e perca o efeito do treino.
- Copie a estrutura da sua prova. Abra o edital ou uma prova anterior da banca e anote quantas questões tem, de quais matérias e em quanto tempo. É esse desenho que você vai reproduzir.
- Selecione as questões por matéria, respeitando o peso. Se Português tem 20 questões no edital e Informática tem 10, seu simulado segue essa proporção. Nada de encher de uma matéria só.
- Embaralhe. A prova real não vem organizada por assunto. Misture as questões para treinar a troca constante de matéria, que é uma habilidade à parte.
- Monte a folha de respostas. Numere de 1 até o total e deixe espaço para marcar a alternativa (ou C/E, se a banca for de certo e errado).
- Cronometre e resolva de uma vez. Ligue o cronômetro, feche tudo e vá até o fim sem pausas longas, mesmo cansado. A resistência só se treina inteira.
- Só depois corrija. A correção vem separada, com calma, nunca no calor da hora. É a parte que mais ensina.
O ponto 6 é onde a maioria falha. Fazer o simulado é metade do trabalho; a correção é a outra metade, e é ela que vira ponto na prova.
Quantas questões e quanto tempo usar
O ideal é copiar exatamente os números da sua banca. Se você ainda não sabe qual concurso vai prestar, use uma referência de formato comum como ponto de partida e ajuste depois.
| Formato da banca | Como é a questão | Referência para o simulado caseiro |
|---|---|---|
| Múltipla escolha (FGV, FCC, CESGRANRIO, VUNESP) | 4 ou 5 alternativas, uma correta | 3 a 5 minutos por questão, em média |
| Certo e errado (CESPE/CEBRASPE) | Afirmação para julgar, com pegadinhas | 2 a 3 minutos por item, atenção redobrada ao comando |
Não invente um tempo folgado para se sentir bem. Se a prova oficial dá pouco mais de três minutos por questão, é esse o ritmo que você precisa treinar. Descobrir em casa que o tempo aperta é exatamente o objetivo. Para calibrar a quantidade ao seu caso, confira os concursos abertos e copie o desenho da prova que você vai enfrentar.
Como reproduzir as condições da prova
Um simulado só vale quando imita o dia oficial. Recrie o ambiente com fidelidade:
- Mesmo horário. Se a prova é de manhã, treine de manhã. Seu corpo tem picos de atenção e você quer conhecer o seu.
- Sem consulta. Nada de material aberto, resumo ao lado ou uma olhadinha rápida. Ser honesto aqui é o que dá um diagnóstico real.
- Sem interrupções. Avise quem mora com você, silencie o celular e feche as abas. A meta é zerar toda distração que você não teria na sala de prova.
- Marque na folha como vai marcar no dia. Treinar o preenchimento evita o erro bobo de transcrição que já reprovou muita gente.
Reproduzir esse cenário é o que treina resistência mental e controle da ansiedade, dois pontos que a questão avulsa nunca alcança. Se você quer entender melhor por que o simulado muda o resultado, veja simulados para concurso: por que e como fazer.
A correção vale mais que a prova
Terminou? O aprendizado começa agora. Corrigir bem é o que transforma número de acertos em nota real:
- Confira o gabarito comentado de todas as questões, inclusive as que você acertou, para saber se acertou pelo motivo certo ou por chute com sorte.
- Classifique cada erro. Foi falta de conteúdo, interpretação do comando, pressa ou desatenção? Cada causa pede uma correção diferente, assunto de como analisar uma questão de concurso.
- Monte um caderno de erros com o enunciado, o que você marcou e o porquê da resposta certa. Esse caderno vira seu melhor material de revisão.
- Reveja os erros com espaçamento, dias depois e de novo mais adiante, aplicando a revisão espaçada.
- Ajuste o próximo ciclo. A matéria em que você perdeu mais ponto sobe na prioridade da semana seguinte.
Pular a correção é o que mais desperdiça simulado. Um simulado corrigido com método vale por três feitos no automático.
Onde tirar as questões para o simulado
Aqui mora a diferença entre um simulado que treina e um que só cansa. Você precisa de questões reais, no estilo da sua banca, com explicação em cada uma para a correção render. O acervo do furafila reúne questões de 425 órgãos e 966 cargos, das 7 bancas mais cobradas (CESPE/CEBRASPE, FGV, FCC, CESGRANRIO, VUNESP, IBFC e FUNDATEC), com gabarito comentado. Só em Português para concursos, a maior base do acervo, são mais de 113 mil questões, matéria que cai em praticamente todo edital e costuma decidir aprovação.
Esse volume por banca permite montar o simulado no formato exato da sua prova e repetir o mesmo tipo de pegadinha até ela deixar de enganar você. Um fluxo simples para montar em casa:
- Escolha as matérias e a proporção do seu edital.
- Selecione as questões por tema em Português e Raciocínio Lógico, que aparecem na maioria dos editais, e complete com as específicas do cargo.
- Embaralhe, cronometre e resolva de uma vez.
- Corrija pelo gabarito comentado e classifique cada erro.
Para encaixar o simulado na rotina sem atropelar a revisão, use o cronograma de estudos para concurso e reserve um bloco fixo por semana na reta final.
Erros comuns ao montar simulado em casa
- Escolher só as matérias que você gosta. O simulado tem que cobrir o edital inteiro, inclusive o que você evita.
- Dar tempo demais. Folga no cronômetro esconde o problema de gestão de tempo que vai aparecer na prova.
- Corrigir no calor da hora. A correção rende mais separada, com atenção a cada questão.
- Fazer e esquecer. Simulado sem ajuste na semana seguinte é tempo jogado fora.
- Consultar material no meio. Uma olhadinha destrói o diagnóstico e mascara a fraqueza que você precisa enxergar.
Perguntas frequentes
Dá para montar um simulado em casa de graça?
Sim. Você precisa de questões no estilo da sua banca com gabarito comentado, um cronômetro e um lugar silencioso. Nada disso exige um curso pago. O que faz o simulado valer é a fidelidade às condições da prova e a correção, não o preço.
Quantas questões colocar no simulado caseiro?
Copie a quantidade da sua prova oficial, que está no edital ou em provas anteriores da banca. Respeite também a proporção entre as matérias: se Português tem o dobro de questões de Informática, seu simulado segue a mesma proporção.
Preciso cronometrar o simulado feito em casa?
Sim. O tempo é parte do treino. Sem cronômetro, você não descobre onde gasta minutos demais nem aprende a pular a questão que trava. Use o mesmo tempo da prova real para o simulado valer.
Com que frequência fazer simulado em casa?
Na reta final, os últimos dois a três meses, um simulado completo por semana é suficiente para a maioria. Antes disso, priorize questões por tema para construir a base e faça simulados por matéria de vez em quando.
O que fazer com o resultado do simulado?
Classifique cada erro por causa (conteúdo, interpretação, pressa ou desatenção), monte um caderno de erros e reveja com espaçamento. A matéria com pior desempenho sobe na prioridade da revisão da semana seguinte. O simulado só cumpre o papel quando o resultado vira ação.