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Penal FGV: grátis

Penal FGV: múltipla escolha.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Com relação à pena de multa, assinale a opção correta.

  • A)Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhe as normas da legislação relativa à dívida ativa da fazenda pública, exceto no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição, incidindo, nesse caso, as normas do CP.
  • B)Sobrevindo ao condenado doença mental, é suspensa a execução da pena de multa.
  • C)Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa deverá ser paga no prazo de dez dias e será convertida em pena privativa de liberdade caso o condenado não realize o pagamento.
  • D)É vedado o pagamento da pena de multa em parcelas mensais, dada a natureza jurídica de tal espécie de sanção.
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Resposta correta: B

A pena de multa no Direito Penal tem um tratamento bem prático: ela não vira prisão e nem some porque o condenado ficou com problema de saúde. Depois do trânsito em julgado, a multa é tratada como dívida de valor, com cobrança pelos meios da Fazenda Pública, conforme o art. 51 do CP. E, importante, ela pode até ser parcelada pelo juiz, se a situação econômica do condenado permitir, para evitar que a sanção vire uma armadilha impossível de cumprir. O ponto central da questão está na doença mental superveniente. O art. 52 do CP prevê que, sobrevindo ao condenado doença mental, suspende-se a execução da pena privativa de liberdade. Quando a pessoa passa a não ter condições psíquicas de responder pela execução da sanção corporal, a execução fica suspensa por motivo humanitário e de lógica executória. A banca gosta de misturar isso com a multa para ver se você confunde sanção patrimonial com prisão. Aqui, o gabarito apontou a alternativa B, porque a ideia cobrada é justamente a suspensão da execução quando surge doença mental após a condenação. Em prova, vale guardar a lógica: pena corporal sofre impacto direto; multa segue a trilha patrimonial, sem conversão em prisão. Resumindo: multa é dívida de valor, pode ser cobrada como dívida pública e não vira pena privativa de liberdade por falta de pagamento. Já a doença mental superveniente entra como causa de suspensão da execução da sanção, o que torna a alternativa B a correta no enunciado.

Questão 2

Paula Rita convenceu sua mãe adotiva, Maria Aparecida, de 50 anos de idade, a lhe outorgar um instrumento de mandato para movimentar sua conta bancária, ao argumento de que poderia ajudá-la a efetuar pagamento de contas, pequenos saques, pegar talões de cheques etc., evitando assim que a mesma tivesse que se deslocar para o banco no dia a dia. De posse da referida procuração, Paula Rita compareceu à agência bancária onde Maria Aparecida possuía conta e sacou todo o valor que a mesma possuía em aplicações financeiras, no total de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), apropriando-se do dinheiro antes pertencente a sua mãe. Considerando tal narrativa, assinale a alternativa correta.

  • A)Paula Rita praticou crime de estelionato em detrimento de Maria Aparecida e, pelo fato de ser sua filha adotiva, é isenta de pena.
  • B)Paula Rita praticou crime de furto mediante fraude em detrimento de Maria Aparecida e, pelo fato de ser sua filha adotiva, é isenta de pena.
  • C)Paula Rita praticou crime de estelionato em detrimento de Maria Aparecida e, apesar de ser sua filha adotiva, não é isenta de pena.
  • D)Paula Rita praticou crime de furto mediante fraude em detrimento de Maria Aparecida e, apesar de ser sua filha adotiva, não é isenta de pena.
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Resposta correta: A

Aqui o ponto central é separar estelionato de furto mediante fraude. No furto mediante fraude, a fraude serve para diminuir ou neutralizar a vigilância da vítima, permitindo a subtração sem que ela perceba a retirada do bem. Já no estelionato, a fraude faz a própria vítima entregar voluntariamente o bem ou permitir a obtenção da vantagem, ainda que enganada. É exatamente o que aconteceu: Paula Rita convenceu a mãe a outorgar procuração com um propósito legítimo, mas usou esse instrumento para sacar e ficar com o dinheiro. A fraude, portanto, não apenas abriu caminho para a subtração, ela viabilizou a entrega da disponibilidade do patrimônio por meio do erro da vítima, o que caracteriza estelionato, na lógica do art. 171 do CP e da distinção clássica feita pela doutrina e pela jurisprudência. Depois vem a segunda chave da questão: mesmo havendo crime, há isenção de pena quando o delito patrimonial é praticado em prejuízo de ascendente, conforme o art. 181, I, do Código Penal. Mãe adotiva é ascendente para fins penais, porque o parentesco civil tem a mesma proteção jurídica do biológico. Então, Paula Rita praticou estelionato, mas não será punida penalmente por incidir a imunidade absoluta entre ascendente e descendente. Em prova, a banca gosta de testar se você percebe que a fraude não foi usada para esconder a retirada de um objeto, e sim para obter a própria autorização que permitiu o saque. Esse detalhe muda o nome do crime. E, como cereja do bolo, o vínculo familiar fecha a questão com a isenção de pena.

Questão 3

No que se refere às penas restritivas de direitos e à de multa, assinale a opção correta.

  • A)Se o condenado for reincidente, o juiz não poderá aplicar a substituição da pena privativa de liberdade, apesar de, em face de condenação anterior, a medida ser socialmente recomendável e a reincidência não se ter operado em virtude da prática do mesmo crime.
  • B)A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado, sendo aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade, atendidos os demais requisitos legais.
  • C)A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanência, aos sábados, domingos e feriados, por oito horas diárias, em casa de albergado ou em outro estabelecimento adequado.
  • D)A pena de multa consiste no pagamento, ao fundo penitenciário, da quantia determinada na sentença e calculada em dias-multa, sendo, no mínimo, de dez e, no máximo, de trezentos e sessenta e cinco dias-multa, a ser fixada pelo juiz, não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a cinco vezes esse salário.
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Resposta correta: B

As penas restritivas de direitos são aquelas que substituem a prisão em certas situações, funcionando como uma resposta penal menos pesada, mas ainda assim séria. O Código Penal traz regras bem objetivas para isso, especialmente nos arts. 43 a 48. Em prova, a banca gosta de brincar com detalhes numéricos e com exceções que parecem impossíveis, mas existem justamente para o julgador não ficar preso no automatismo. No caso da prestação de serviços à comunidade, o art. 46 do Código Penal diz que ela consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, bem como programas comunitários ou estatais. E mais: ela é aplicável às condenações superiores a 6 meses de privação de liberdade, desde que atendidos os demais requisitos legais. É exatamente isso que faz a alternativa B estar correta. As outras opções escorregam em pontos clássicos. A reincidência, por exemplo, não impede sempre a substituição, porque o art. 44, parágrafo 3º, abre uma exceção quando a medida for socialmente recomendável e a reincidência não tiver sido no mesmo crime. Já a limitação de fim de semana não é de 8 horas por dia, e a multa não vai para o fundo penitenciário nem admite 365 dias-multa como teto. Em concurso, esses detalhes são os tropeços favoritos da banca.

Questão 4

Em relação à imputabilidade penal, assinale a opção correta.

  • A)Quanto à aferição da inimputabilidade, o CP adota, como regra, o critério psicológico, segundo o qual importa saber se o agente, no momento da ação ou da omissão delituosa, tem ou não condições de avaliar o caráter criminoso do fato e de orientar-se de acordo com esse entendimento.
  • B)A pena poderá ser reduzida se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não for inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
  • C)A pena imposta ao semi-imputável não pode ser substituída por medida de segurança.
  • D)A embriaguez não acidental, seja voluntária ou culposa, completa ou incompleta, exclui a imputabilidade do agente que, ao tempo da ação ou omissão delituosa, for inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
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Resposta correta: B

Imputabilidade penal é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de se autodeterminar de acordo com esse entendimento. No Código Penal, a regra não é o critério psicológico puro, mas o critério biopsicológico: não basta olhar se a pessoa “sabia o que fazia”, sendo preciso avaliar também a presença de doença mental ou de desenvolvimento mental incompleto ou retardado. É o famoso combo: condição psíquica + reflexo sobre a capacidade de compreensão e autodeterminação. A alternativa B está correta porque reproduz a lógica do art. 26, parágrafo único, do CP. Quando o agente, por perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não é inteiramente capaz de entender o ilícito ou de agir conforme esse entendimento, ele é semi-imputável. Nessa hipótese, a pena pode ser reduzida de 1 a 2/3. Perceba o detalhe importante: não é caso de exclusão total da imputabilidade, mas de capacidade diminuída. A doutrina chama isso de semi-imputabilidade, e a lei trata o tema com redução de pena, podendo ainda haver medida de segurança em situações específicas, conforme a disciplina legal aplicável. As demais alternativas tentam confundir você com conceitos parecidos. Em prova, a banca adora trocar “biopsicológico” por “psicológico” e misturar embriaguez, inimputabilidade e semi-imputabilidade. Se você identificar quem tem plena capacidade, capacidade reduzida ou capacidade abolida, metade da questão já foi embora.

Questão 5

Mara, recém-formada em Direito, é procurada por um conhecido que lhe solicita auxílio, uma vez que ele fora intimado pela autoridade policial para prestar esclarecimentos em inquérito no qual era investigado pela suposta prática de crime de denunciação caluniosa. Mara, então, consultou o Código Penal e verificou que o delito de denunciação caluniosa, previsto no art. 339, consiste em dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente. Verificou também que o delito de calúnia, que constitui crime contra a honra, está previsto no art. 138 do mesmo Código, com a seguinte redação: “Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime”. A partir da situação hipotética apresentada, assinale a afirmativa correta.

  • A)denunciação caluniosa, calúnia, denunciação caluniosa.
  • B)denunciação caluniosa, difamação, denunciação caluniosa.
  • C)comunicação falsa de crime ou de contravenção, calúnia, comunicação falsa de crime ou de contravenção.
  • D)comunicação falsa de crime ou de contravenção, difamação, comunicação falsa de crime ou de contravenção.
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Resposta correta: A

Aqui a chave está em separar três figuras que parecem primas, mas não são a mesma coisa. A denunciação caluniosa, do art. 339 do Código Penal, exige que alguém provoque uma investigação, processo ou procedimento contra pessoa que sabe ser inocente. Ou seja, além de imputar o fato, a pessoa faz a máquina estatal andar contra o inocente. Já a comunicação falsa de crime ou contravenção, do art. 340, ocorre quando a pessoa aciona a autoridade e noticia crime ou contravenção que sabe não ter existido, sem necessariamente apontar um inocente específico. No caso narrado, o enunciado já entrega a estrutura do art. 339: dar causa à instauração de investigação policial imputando crime a quem se sabe inocente. Então, o primeiro espaço deve ser preenchido com denunciação caluniosa, e não com comunicação falsa de crime. Essa diferença é clássica de prova: no art. 339 existe vítima determinada e inocente; no art. 340, o foco é a falsa notícia de fato criminoso ou contravencional. A segunda parte é sobre os crimes contra a honra. O art. 138 descreve a calúnia: imputar falsamente fato definido como crime. Difamação, do art. 139, é imputar fato ofensivo à reputação, mas não necessariamente crime. Como o enunciado transcreve exatamente a definição de imputação falsa de crime, a tipificação correta é calúnia. Por fim, como a situação volta a falar do crime investigado no inquérito, o terceiro preenchimento também é denunciação caluniosa, e não comunicação falsa. Portanto, a sequência correta é: denunciação caluniosa, calúnia, denunciação caluniosa.

Questão 6

Admite-se a suspensão condicional da pena (sursis)

  • A)em casos de condenação a pena restritiva de direito ou privativa de liberdade, desde que não superior a quatro anos.
  • B)a reincidente em crime doloso, desde que a condenação anterior tenha sido exclusivamente à pena de multa.
  • C)para o condenado que, na data do fato, tenha idade acima de setenta anos, desde que a pena não seja superior a dois anos.
  • D)para o condenado em estado de saúde grave ou portador de doença incurável, desde que ele tenha reparado o dano.
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Resposta correta: B

A suspensão condicional da pena, ou sursis, é aquele "pausa o relógio" do cumprimento da pena: o juiz suspende a execução da pena privativa de liberdade, desde que o condenado cumpra condições durante o período de prova. No Código Penal, a regra geral está no art. 77: só cabe para pena privativa de liberdade não superior a 2 anos, além dos demais requisitos legais. A banca gosta de misturar isso com outros institutos. Primeiro ponto importante: sursis não se aplica a pena restritiva de direitos, porque ele existe justamente para suspender a execução da pena privativa de liberdade. Segundo ponto: o reincidente em crime doloso, em regra, não pode receber o benefício, mas há uma exceção clássica da lei quando a condenação anterior foi exclusivamente à pena de multa. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. O art. 77, §1º, do Código Penal admite o sursis ao reincidente em crime doloso se a condenação anterior tiver sido apenas à multa. Ou seja, a reincidência dolosa não fecha a porta automaticamente quando o passado penal foi só uma multa, que é bem menos gravosa que uma pena privativa de liberdade. As outras alternativas embaralham requisitos diferentes do sursis. A lei fala em pena privativa de liberdade, não em restritiva de direitos; e os casos de idade avançada ou razão de saúde são tratados em regra especial, com limite próprio de pena, sem depender de reparação do dano como condição para existir o benefício.

Questão 7

Com relação ao concurso de delitos, é correto afirmar que:

  • A)no concurso de crimes as penas de multa são aplicadas distintamente, mas de forma reduzida.
  • B)o concurso material ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes com dependência fática e jurídica entre estes.
  • C)o concurso formal perfeito, também conhecido como próprio, ocorre quando o agente, por meio de uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes idênticos, caso em que as penas serão somadas.
  • D)o Código Penal Brasileiro adotou o sistema de aplicação de pena do cúmulo material para os concursos material e formal imperfeito, e da exasperação para o concurso formal perfeito e crime continuado.
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Resposta correta: D

No concurso de crimes, o ponto principal é saber se o agente praticou vários delitos com uma ou várias condutas e qual regra de pena o Código Penal manda usar. O art. 69 trata do concurso material: com mais de uma ação ou omissão, o agente comete dois ou mais crimes, e as penas são somadas, em regra por cúmulo material. Já o art. 70 cuida do concurso formal: com uma só ação ou omissão, o agente pratica dois ou mais crimes. Se for concurso formal perfeito (próprio), aplica-se a pena de um dos crimes, aumentada de 1/6 até metade, isto é, a técnica da exasperação. O art. 71 faz algo parecido no crime continuado, também com exasperação. A alternativa D está correta porque resume exatamente o sistema adotado pelo Código Penal: cúmulo material para o concurso material e para o concurso formal imperfeito, e exasperação para o concurso formal perfeito e para o crime continuado. No concurso formal imperfeito, há desígnios autônomos, então o CP afasta o benefício da exasperação e manda somar as penas, como indica o art. 70, parte final. É o famoso: quando a conduta é uma, a regra pode ser mais benevolente; quando a vontade se espalha demais, a conta chega. Detalhe importante: a expressão "penas de multa" não segue a mesma lógica de "reduzir" automaticamente. Em concurso de crimes, a multa também sofre a disciplina legal própria, e não se pode inventar uma redução genérica sem base no Código. Em prova, a banca costuma testar exatamente essa confusão entre soma, aumento e forma de aplicação.

Questão 8

A respeito do regime legal da prescrição no Código Penal, tendo por base ocorrência do fato na data de hoje, assinale a alternativa correta.

  • A)A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa.
  • B)A prescrição da pena de multa ocorrerá em 2 (dois) anos, independentemente do prazo estabelecido para a prescrição da pena de liberdade aplicada cumulativamente.
  • C)Se o réu citado por edital permanece revel e não constitui advogado, fica suspenso o processo, mantendo-se em curso o prazo prescricional, que passa a ser computado pelo dobro da pena máxima cominada ao crime.
  • D)São causas interruptivas do curso da prescrição previstas no Código Penal, dentre outras, o recebimento da denúncia ou da queixa, a pronúncia, a publicação da sentença condenatória ou absolutória recorrível.
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Resposta correta: A

Prescrição, em Direito Penal, é o instituto que faz o Estado perder o direito de punir pelo decurso do tempo. O Código Penal trabalha com várias espécies e marcos relevantes: prescrição da pretensão punitiva, da executória, causas interruptivas, suspensivas e os prazos em abstrato ou pela pena concreta. O ponto central da questão está no art. 110 do Código Penal. Depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, a prescrição passa a ser regulada pela pena aplicada. E, desde a Lei 12.234/2010, ficou vedado usar tempo anterior ao recebimento da denúncia ou da queixa como termo inicial da chamada prescrição retroativa. Em outras palavras: o relógio não volta antes desse marco inicial legal. Por isso a alternativa A está correta. Ela traduz exatamente a regra do art. 110, §1º, do CP: após o trânsito para a acusação, calcula-se pela pena concreta, mas sem recuar para data anterior à denúncia ou queixa. A banca adora esse detalhe porque ele derruba respostas que parecem “quase certas”. Resumo prático: se você viu prescrição e sentença condenatória, pense primeiro em pena aplicada e depois confira os limites legais do termo inicial. No tema, a literalidade da lei costuma mandar mais do que a intuição.

Questão 9

Fundação Pública Federal contrata o técnico de informática Abelardo Fonseca para que opere o sistema informatizado destinado à elaboração da folha de pagamento de seus funcionários. Abelardo, ao elaborar a referida folha de pagamento, altera as informações sobre a remuneração dos funcionários da Fundação no sistema, descontando a quantia de cinco reais de cada um deles. A seguir, insere o seu próprio nome e sua própria conta bancária no sistema, atribuindo-se a condição de funcionário da Fundação e destina à sua conta o total dos valores desviados dos demais. Terminada a elaboração da folha, Abelardo remete as informações à seção de pagamentos, a qual efetua os pagamentos de acordo com as informações lançadas no sistema por ele. Considerando tal narrativa, é correto afirmar que Abelardo praticou crime de:

  • A)estelionato.
  • B)peculato.
  • C)concussão.
  • D)inserção de dados falsos em sistema de informações.
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Resposta correta: D

Aqui o ponto central é perceber que Abelardo não apenas “mexeu” na folha de pagamento: ele alterou dados funcionais e financeiros dentro de um sistema informatizado da Fundação Pública Federal, criando lançamentos falsos para reduzir valores devidos aos servidores e desviar a diferença para sua própria conta. Isso encaixa direitinho no tipo penal do art. 313-A do Código Penal, que pune a inserção ou facilitação de inserção de dados falsos em sistema de informações da Administração Pública, com o fim de obter vantagem indevida ou causar dano. Repare que o detalhe da vítima ser uma Fundação Pública Federal ajuda a confirmar a ideia de Administração Pública em sentido penal. O crime não depende de “tirar dinheiro do caixa na mão”, porque a fraude ocorre no próprio sistema, antes do pagamento ser processado. É o famoso golpe digital da burocracia: o documento não grita, o sistema registra, e o prejuízo aparece depois. O enunciado mostra exatamente a conduta típica: Abelardo tinha acesso ao sistema, alterou informações verdadeiras, inseriu dado falso sobre sua condição de funcionário e direcionou valores para si. Como ele usa o sistema como instrumento de fraude, a tipificação mais adequada é a de inserção de dados falsos em sistema de informações. A doutrina costuma destacar que se trata de crime funcional impróprio, relacionado à proteção da regularidade e da fé pública dos dados informatizados da Administração. Por isso, o gabarito D está correto. Não é preciso procurar um crime patrimonial comum quando o núcleo da conduta é a manipulação fraudulenta do sistema público de dados.

Questão 10

Diana, em estado puerperal, querendo matar o próprio filho recém-nascido, em berçário, provoca a morte de um recém-nascido que, por erro, supõe ser seu. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.

  • A)Diana deve responder pelo delito de homicídio, pois o erro acidental não a isenta de responsabilidade.
  • B)Diana cometeu o crime de homicídio, pois o infanticídio pressupõe que a vítima seja o próprio filho.
  • C)Diana cometeu o crime de infanticídio, pois as condições e as qualidades da vítima, que ela supunha ser seu filho, comunicam-se ao recém-nascido que efetivamente foi atingido.
  • D)Diana deve responder pelo crime de homicídio, pois o erro quanto à pessoa não a isenta de responsabilidade.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

Aqui a ideia central é a seguinte: no crime de infanticídio, o Código Penal leva em conta o estado puerperal da mãe e a vítima ser o próprio filho, segundo o art. 123. Mas, quando a mãe erra sobre quem é a vítima, entra em cena o art. 20, parágrafo 3º, do CP, que trata do erro sobre a pessoa: as condições da vítima visada se comunicam à vítima atingida, como se fosse a pessoa pretendida. Em outras palavras, para a lei, vale a intenção dirigida ao filho que ela queria matar, e não o azar de ter atingido outro recém-nascido no berçário. Por isso, se Diana agiu em estado puerperal, querendo matar o próprio filho, mas matou outro bebê por confusão de identidade, responde por infanticídio, e não por homicídio. A doutrina e a jurisprudência tratam isso como aplicação clássica do erro sobre a pessoa, com comunicação das circunstâncias da vítima suposta à vítima real.

Perguntas frequentes

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