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Questões de Direito Penal FCC: comentadas e grátis

Pratique questões de Direito Penal da banca FCC, comentadas e de graça, para concursos e OAB. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Constitui causa interruptiva da prescrição

  • A)decisão de impronúncia.
  • B)cumprimento de pena no exterior.
  • C)decretação da prisão temporária.
  • D)continuação do cumprimento da pena.
  • E)interposição de embargos de declaração quando inadmissíveis.
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Resposta correta: D

A prescrição é o prazo que o Estado tem para punir ou executar a pena. Quando acontece uma causa interruptiva, esse relógio zera e recomeça do zero. O Código Penal traz isso no art. 117, que é a lista que você precisa ter na ponta da língua: recebimento da denúncia/queixa, pronúncia, confirmação da pronúncia, publicação da sentença ou acórdão condenatórios, início ou continuação do cumprimento da pena e reincidência. No enunciado, o item correto é o da continuação do cumprimento da pena. Isso interrompe a prescrição da pretensão executória porque mostra que a execução penal está em curso, então não faz sentido deixar o prazo correr como se o Estado estivesse parado. Em outras palavras: se a pena está sendo efetivamente cumprida, o prazo prescricional é zerado e recomeça a contagem. As demais alternativas tentam confundir com atos processuais ou fatos que não estão no rol legal do art. 117 do CP. Em prescrição, vale muito a regra do "rol fechado": se não está previsto em lei como causa interruptiva, não entra por criatividade da banca. Portanto, a alternativa D está correta porque reproduz exatamente uma hipótese legal de interrupção da prescrição, prevista no art. 117, V, do Código Penal.

Questão 2

O crime de perseguição, também conhecido como stalking,

  • A)contra criança, adolescente ou idoso, tem a pena aumentada de metade.
  • B)é incompatível com a Lei Maria da Penha em razão da forma equivocada de tipificação.
  • C)com emprego de violência, tem a pena aumentada de um terço até metade.
  • D)com restrição da liberdade da vítima, tem a pena aumentada de metade.
  • E)não permite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
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Resposta correta: A

O crime de perseguição, o famoso stalking, está no art. 147-A do Código Penal e pune quem persegue alguém de forma reiterada, por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica, invadindo ou perturbando a liberdade e a privacidade da vítima. A ideia aqui é simples: não basta uma importunação isolada, tem que haver repetição e impacto real na liberdade da pessoa. A lei também prevê uma causa de aumento de pena quando o crime é praticado contra criança, adolescente ou idoso, elevando a pena de metade. É exatamente o que a alternativa A traz. O legislador fez isso para proteger vítimas em situação de maior vulnerabilidade, o que é bem coerente com a lógica de tutela reforçada do Direito Penal. Então, o gabarito é A porque reproduz fielmente a majorante legal do art. 147-A, parágrafo 1º, do CP. Em prova, vale lembrar: perseguição não é qualquer insistência chata do cotidiano, mas uma conduta reiterada com potencial de restringir a liberdade da vítima. Um detalhe importante: o stalking pode, sim, aparecer em contexto de violência doméstica e familiar, inclusive com incidência da Lei Maria da Penha, quando presentes seus requisitos. Então a banca costuma misturar os conceitos para ver se voce distingue o tipo penal da proteção especial.

Questão 3

Em relação ao indulto e comutação de penas, é correto:

  • A)A sentença que tem por objeto o indulto e a comutação tem natureza constitutiva e, portanto, o Juízo da execução penal não poderá concedê-los em favor do preso evadido, devendo aguardar a sua recaptura.
  • B)Compete privativamente ao Poder Legislativo conceder indulto e comutação, após manifestação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, acolhida pelo Ministro de Estado da Justiça.
  • C)A Lei de Execução Penal veda a concessão de indulto aos condenados pela prática de crimes com violência e grave ameaça, sendo permitida apenas a comutação.
  • D)A análise do direito ao indulto deve ser sempre precedida de exame criminológico para crimes equiparados a hediondos.
  • E)A pessoa beneficiada por anterior comutação, que alcançou lapso necessário à obtenção de indulto em Decreto posterior, pode beneficiar-se deste direito.
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Resposta correta: E

Indulto e comutação são formas de clemência estatal, mas não se confundem com anistia. No Brasil, quem concede é o Presidente da República, por decreto, com base no art. 84, XII, da Constituição. O Juízo da execução apenas aplica o decreto ao caso concreto, verificando se o condenado preenche os requisitos. Ou seja: o juiz não “cria” o benefício, só reconhece o direito quando a lei do decreto autoriza. A pegadinha clássica aqui é achar que ter recebido uma graça antes “queima” o benefício futuro. Não queima. Se a pessoa já teve a pena comutada em decreto anterior e, depois, passou a preencher os requisitos de novo indulto previsto em decreto posterior, ela pode sim ser beneficiada novamente. O que importa é o decreto vigente e o preenchimento dos requisitos no momento da análise. Isso é coerente com a lógica do indulto natalino e da comutação: são atos excepcionais, de política criminal, e cada decreto traz seus próprios critérios. Se o novo decreto não excluiu expressamente quem já foi agraciado antes, não cabe ao intérprete inventar impedimento. Então, no caso da questão, a assertiva correta é a que admite novo benefício a quem já teve comutação anterior, desde que o novo decreto permita e o lapso exigido tenha sido atingido.

Questão 4

Segundo o Supremo Tribunal Federal, a legítima defesa da honra nos crimes contra a vida

  • A)é incabível por ser tese violadora da dignidade humana, dos direitos à vida e à igualdade entre homens e mulheres, embora tecnicamente seja legítima defesa.
  • B)está excluída do âmbito do instituto da legítima defesa, havendo óbice para sua utilização de forma direta ou indireta.
  • C)admite seu cabimento em hipóteses excepcionais, de forma mitigada, embora não possa ser utilizada como tese defensiva de forma direta.
  • D)teve sua aplicação obstada em razão da luta do movimento feminista, embora encontre fundamento constitucional.
  • E)possui aplicação condicionada à preservação da imagem da vítima, a fim de afastar recursos argumentativo-retóricos odiosos, desumanos e cruéis.
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Resposta correta: B

A chamada "legítima defesa da honra" era uma tentativa de justificar homicídios ou absolver réus com base em ciúme, traição ou suposta ofensa à honra masculina. O STF fechou essa porta de vez: essa tese é incompatível com a Constituição, porque viola a dignidade da pessoa humana, o direito à vida e a igualdade entre homens e mulheres. O ponto central veio na ADPF 779, em que o Supremo proibiu expressamente o uso da legítima defesa da honra, tanto de forma direta quanto indireta, nos crimes contra a vida, especialmente no Tribunal do Júri. Ou seja: não pode aparecer com esse nome nem disfarçada em argumentos do tipo "reação emocional", "desonra" ou "legítima reação ao adultério". Perceba a pegadinha: a expressão "legítima defesa" engana, porque até existe no Código Penal como excludente de ilicitude, mas precisa cumprir seus requisitos reais, como agressão atual ou iminente e moderação. Honra ferida não autoriza matar, e o STF foi categórico nisso. Por isso, a alternativa B está correta: a tese está fora do âmbito da legítima defesa e há óbice para sua utilização direta ou indireta. Em prova, quando aparecer "legítima defesa da honra" em crime contra a vida, pense imediatamente em veto do STF, não em absolvição criativa.

Questão 5

No crime de tráfico ilícito de entorpecentes,

  • A)é cabível a aplicação de causa de diminuição de pena pela colaboração voluntária na identificação de coautores e na recuperação do produto do crime.
  • B)a natureza e quantidade da substância ou do produto não podem ser valoradas negativamente na aplicação da pena por configurar bis in idem.
  • C)o valor da pena de multa previsto em lei é adequado à condição econômica da maior parte das pessoas condenadas por esse crime no Brasil, de modo a atacar o crime organizado de forma eficiente e preventiva.
  • D)é vedada a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos em razão do princípio da proporcionalidade.
  • E)a participação daquele que meramente custeia a prática do crime é circunstância atenuante da pena.
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Resposta correta: A

No tráfico de drogas, a Lei 11.343/2006 traz algumas regras bem específicas para a dosimetria da pena. Aqui, o ponto-chave é lembrar que o legislador resolveu premiar quem ajuda de verdade na apuração do crime, especialmente quando essa colaboração facilita a identificação dos demais envolvidos e a recuperação do proveito do delito. Isso está no artigo 41 da Lei de Drogas: a pena pode ser reduzida de 1/3 a 2/3 se o indiciado ou acusado colaborar voluntariamente com a identificação dos demais coautores ou partícipes e na recuperação total ou parcial do produto do crime. Perceba que não é qualquer ajuda informalzinha; a colaboração precisa ser voluntária e ter utilidade concreta para a investigação. Por isso, a alternativa A está correta. Ela reproduz a lógica do artigo 41, que funciona como causa de diminuição de pena específica do crime de tráfico. Em prova, a banca costuma misturar essa redução com outras figuras parecidas, como colaboração premiada em geral, então vale atenção redobrada. Ah, e no tráfico também existe o artigo 42, que manda o juiz dar especial atenção à natureza e à quantidade da droga na fixação da pena. Então a ideia de que esses dados não podem ser valorados negativamente está errada. No Direito Penal de drogas, a banca adora esse tipo de pegadinha: o texto parece elegante, mas a lei diz o contrário.

Questão 6

O Supremo Tribunal Federal decidiu que, até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém

  • A)configuram feminicídio, na hipótese de crime de homicídio doloso, por identidade de razão e mediante adequação típica.
  • B)constituem, na hipótese de crime de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe.
  • C)ajustam-se à incriminação da Lei nº 7.716/1989, sem menção no julgado a qualificadora ou agravante para qualquer crime em espécie.
  • D)possuem reflexo nas penas dos crimes de lesão corporal e ameaça pela incidência da agravante de motivo fútil.
  • E)possuem reflexo nas penas dos crimes que causam intimidação difusa ou coletiva pela incidência da agravante de perigo comum.
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Resposta correta: B

O STF, no julgamento da ADO 26 e do MI 4733, entendeu que a homofobia e a transfobia, enquanto manifestações de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, entram provisoriamente no alcance da Lei 7.716/1989, até que o Congresso faça a sua parte. Em outras palavras: o Tribunal disse que esse tipo de aversão odiosa não fica “sem nome” no Direito Penal. Mas a banca foi além e cobrou um efeito específico no homicídio doloso. Quando o crime é praticado por esse tipo de preconceito, a motivação do agente revela desprezo intolerável pela vítima, o que pode caracterizar motivo torpe, qualificando o homicídio. É a lógica do art. 121, § 2º, I, do Código Penal: o motivo vil, abjeto, repugnante, puxa a pena para cima. Então, o ponto central aqui é distinguir duas coisas: a decisão do STF teve como núcleo o enquadramento dessas condutas na Lei 7.716/1989; porém, em crimes contra a vida, esse mesmo preconceito pode funcionar como qualificadora do homicídio por motivo torpe. Não é um “crime novo”, é o uso de categorias já existentes para punir um motivo especialmente reprovável. Por isso o gabarito é a letra B. A conduta homofóbica ou transfóbica, quando presente como razão do homicídio doloso, qualifica o crime por motivo torpe, sem depender de criação legislativa específica para isso.

Questão 7

Caio e Douglas, previamente ajustados, subtraíram do interior de um estabelecimento comercial bens avaliados no total de 700 reais. Caio é primário e Douglas é reincidente. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a figura do furto qualificado privilegiado

  • A)aplica-se a Caio e Douglas diante do pequeno valor da coisa e da qualificadora ser de ordem objetiva, sendo irrelevante a primariedade.
  • B)é incabível para Caio e Douglas, pois não se aplica o privilégio em caso de furto qualificado.
  • C)aplica-se somente a Caio diante de sua primariedade, do pequeno valor da coisa e da qualificadora ser de ordem objetiva.
  • D)aplica-se a Caio e Douglas diante do pequeno valor da coisa, sendo irrelevantes a primariedade e a qualificadora ser de ordem objetiva.
  • E)aplica-se somente a Caio diante de sua primariedade e do pequeno valor da coisa, sendo irrelevante a qualificadora ser de ordem objetiva.
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Resposta correta: C

A Súmula 511 do STJ admite o furto qualificado-privilegiado quando presentes três requisitos: primariedade do agente, pequeno valor da coisa furtada e qualificadora de ordem objetiva. No caso, a qualificadora é o concurso de agentes, de natureza objetiva, e o valor de R$ 700 pode ser considerado pequeno. O privilégio, porém, só beneficia Caio, porque Douglas é reincidente.

Questão 8

De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a pessoa presa que destrói grades da cela com o objetivo de facilitar a fuga de estabelecimento prisional pratica

  • A)fato atípico diante da ausência de animus nocendi.
  • B)crime de dano qualificado com agravante de garantir a impunidade de crime.
  • C)crime de dano qualificado com atenuante genérica pelas condições degradantes da prisão.
  • D)fato atípico diante da ausência de animus necandi.
  • E)crime de dano qualificado com obrigação de reparação dos danos causados.
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Resposta correta: A

Na orientação do STJ, o crime de dano exige dolo específico de causar prejuízo ao patrimônio alheio, o chamado animus nocendi. Quando o preso danifica grades da cela apenas para viabilizar fuga, sem finalidade autônoma de destruir ou prejudicar o patrimônio público, falta esse elemento subjetivo específico e a conduta é atípica quanto ao dano.

Questão 9

Sobre o regime de cumprimento de pena, é correto afirmar que

  • A)é possível a fixação de regime aberto a réus reincidentes nos casos que caracterizem insignificância.
  • B)a pena de detenção deve ser cumprida no regime aberto.
  • C)o tempo de prisão provisória será computado para fins de determinação do regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade, salvo o tempo de internação.
  • D)os delitos considerados hediondos admitem a imposição de regime mais severo do que o previsto segundo a pena aplicada.
  • E)a determinação do regime inicial de cumprimento de pena independe da análise das circunstâncias judiciais.
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Resposta correta: A

O regime inicial e definido pelos critérios do art. 33 do Codigo Penal, considerando quantidade de pena, reincidencia e circunstâncias judiciais. Embora a regra legal vede regime aberto ao reincidente, a jurisprudencia admite exceção em hipóteses de furto de valor insignificante ou de reduzidissima ofensividade em que a tipicidade só foi mantida por circunstância pessoal desfavoravel, por proporcionalidade.

Questão 10

Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça quanto aos crimes previstos na Lei n° 11.343, de 23 de agosto de 2006,

  • A)é inviável a aplicação da causa especial de diminuição da pena do art. 33, § 4° , da Lei 11.343/2006, quando há condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de drogas e de associação para o tráfico, mas possível que a fração de redução, em caso de exclusiva condenação por tráfico, seja modulada em razão da qualidade e da quantidade de droga apreendida, além das demais circunstâncias do delito, não obstando a aplicação da minorante, por si só, a condição de “mula”.
  • B)para a incidência da majorante do art. 40, V, da Lei n° 11.343/2006, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, bastando a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual, e, se além dela, houver a incidência de outra circunstância elencada no mesmo artigo, possível a aplicação de acréscimo acima da fração mínima com base apenas no número de causas de aumento identificadas.
  • C)é desproporcional que condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei n° 11.343/2006 configurem reincidência e, por isso, quando cometido no interior de estabelecimento prisional, não constitui falta grave.
  • D)o agente que atua diretamente na traficância e que também financia ou custeia a aquisição de drogas deve responder pela conduta autônoma prevista no art. 36 da Lei n° 11.343/2006, e não pelo crime do art. 33, caput, com a causa de aumento do art. 40, VII, admitindo-se, porém, a aplicação do princípio da consunção entre os delitos do art. 33, § 1° , e do art. 34, desde que não caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta.
  • E)acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 da Lei n° 11.343/2006 aos crimes e tráfico de drogas e de associação para fins de tráfico, bem como a consideração da natureza e a quantidade da droga para justificar o aumento da pena-base e para afastar a redução prevista no art. 33, § 4° .
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

Na Lei de Drogas, a condenacao simultanea por trafico e associação para o trafico afasta o trafico privilegiado, pois evidencia dedicacao criminosa. Em condenacao apenas por trafico, a quantidade e a qualidade da droga podem modular a fracao redutora, e a condição de mula, sozinha, não afasta a minorante.

Perguntas frequentes

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