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Direito Administrativo CESPE: grátis

Administrativo CESPE: Lei 8112, 8666, 14133.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Na administração pública federal, a administração direta compreende os serviços integrados na estrutura administrativa da

  • A)Presidência da República, dos ministérios, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista.
  • B)Presidência da República e dos ministérios, apenas.
  • C)Presidência da República, dos ministérios e das autarquias, apenas.
  • D)Presidência da República, dos ministérios, das autarquias e das fundações públicas, apenas.
  • E)Presidência da República, dos ministérios, das autarquias, das fundações públicas e das empresas públicas, apenas.
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Resposta correta: B

Na organização da Administração Pública, é importante separar duas ideias: desconcentração e descentralização. Na desconcentração, o Estado apenas reparte internamente suas competências, criando órgãos dentro da mesma pessoa jurídica. Já na descentralização, há transferência para outra pessoa, como autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Na esfera federal, a administração direta é formada pela Presidência da República e pelos ministérios, que são órgãos sem personalidade jurídica própria. Eles integram a estrutura central do Executivo federal, funcionando como as "engrenagens internas" do Estado. Por isso, quando a questão fala em serviços integrados na estrutura administrativa da administração direta, a resposta fica restrita a esses dois núcleos. As autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista não entram aqui porque pertencem à administração indireta, cada uma com personalidade jurídica própria, criada para descentralizar atividades do Estado. A lógica da questão é exatamente essa: administração direta = órgãos centrais; administração indireta = entidades vinculadas. O gabarito B está correto porque, na administração pública federal, a administração direta compreende a Presidência da República e os ministérios, apenas. Esse é o desenho clássico previsto no Decreto-Lei 200/1967, especialmente ao tratar da estrutura da Administração Federal.

Questão 2

Com base no disposto na Constituição Federal de 1988, julgue o item seguinte. Em processo administrativo disciplinar, a falta de defesa técnica, por advogado, configura desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: E

No processo administrativo disciplinar, a Constituição assegura contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (art. 5º, LV). Isso significa que a pessoa acusada deve poder conhecer a acusação e se defender de forma efetiva, mas não quer dizer, automaticamente, que a defesa técnica por advogado seja obrigatória em todo e qualquer processo administrativo. Aqui está o ponto central da questão: no PAD, a ausência de advogado não gera, por si só, nulidade por violação ao contraditório e à ampla defesa. O Supremo Tribunal Federal consolidou esse entendimento na Súmula Vinculante 5: "A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição". Então, mesmo que a presença de advogado possa ser útil e recomendável, ela não é requisito indispensável para a validade do PAD. O que a Administração não pode é deixar o servidor sem oportunidade real de se manifestar e produzir defesa. Se houver defesa possível pelo próprio acusado ou por defensor dativo, o devido processo não fica automaticamente comprometido. Por isso o item está errado: ele trata a ausência de advogado como se fosse, por si só, desrespeito ao contraditório e à ampla defesa, mas a jurisprudência do STF diz o contrário.

Questão 3

De acordo com a Lei n.º 8.666/1993, o regime de execução que se caracteriza por contratar um empreendimento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até a sua entrega, é denominado

  • A)empreitada integral.
  • B)execução direta.
  • C)empreitada por preço global.
  • D)empreitada por preço unitário.
  • E)tarefa.
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Resposta correta: A

Na Lei 8.666/1993, a forma de execução da obra ou serviço pode variar conforme o grau de responsabilidade da contratada e a forma de pagamento. Quando o enunciado fala em contratar o empreendimento em sua integralidade, com todas as etapas, obras, serviços e instalações necessários, e com inteira responsabilidade da empresa até a entrega final, ele está descrevendo a empreitada integral. Em outras palavras: a contratada não faz só uma parte, ela assume o pacote completo, do começo ao fim, como quem pega a obra e diz: "pode deixar, eu entrego pronta". Esse conceito está ligado ao art. 6º, VIII, "e", da Lei 8.666/1993, que define empreitada integral exatamente como a contratação de um empreendimento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional. A pegadinha clássica é confundir isso com empreitada por preço global ou por preço unitário. Nessas modalidades, o foco está na forma de remuneração e medição do objeto, não na assunção integral de todas as etapas do empreendimento. Já a tarefa é algo mais simples e restrito, muito distante da ideia de obra completa e entregue pronta para funcionar. Por isso, o gabarito é a letra A: a descrição do enunciado bate quase palavra por palavra com a definição legal de empreitada integral. Em prova, quando aparecer a expressão "integralidade" ou "empreendimento completo até a entrega", acenda o alerta: a banca está te chamando para esse conceito.

Questão 4

A respeito da administração pública, dos servidores públicos da União e dos contratos e convênios celebrados pela União, julgue o item a seguir. Considere que, ao realizar o pregão eletrônico para contratação de serviço comum a determinado órgão público federal, diante do baixo valor da contratação, o gestor do órgão tenha dispensado a elaboração de termo de referência. Com base nessas informações, é correto afirmar que a decisão do gestor respeitou as normas aplicáveis a essa modalidade de licitação.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: E

No pregão eletrônico, especialmente para a contratação de serviço comum, o termo de referência não é enfeite burocrático: ele é peça obrigatória para dizer o que será contratado, como será executado, quais critérios serão usados e como a Administração vai comparar as propostas. Sem isso, a disputa fica meio no escuro, e pregão não combina com adivinhação. A ideia de que o baixo valor da contratação dispensaria o termo de referência está errada. O valor pode até influenciar algumas regras de planejamento e de contratação direta, mas não elimina a necessidade de instrução mínima da licitação. No pregão eletrônico, o Decreto 10.024/2019 exige a elaboração do termo de referência, em regra, como documento central da fase preparatória. Então, a decisão do gestor não respeitou as normas aplicáveis. A lógica do sistema é simples: quanto mais objetiva e padronizada a contratação, mais importante fica o termo de referência para evitar improviso, restringir disputa indevida e garantir julgamento correto da proposta. Resumo de prova: pregão eletrônico para serviço comum exige planejamento e termo de referência. Baixo valor não serve de atalho para pular essa etapa.

Questão 5

A União concedeu para um parceiro privado a exploração de uma ferrovia a ser construída por este, mas que contará com parcela de recursos públicos para este fim. Conforme pactuado entre a União e o parceiro privado, este poderá cobrar tarifas dos usuários da ferrovia. Conforme a Lei n.º 11.079/2004, que dispõe sobre as parcerias público-privadas, a concessão de que trata a situação hipotética em pareço é da modalidade

  • A)administrativa.
  • B)patrocinada.
  • C)consórcio público.
  • D)delegada.
  • E)comum.
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Resposta correta: B

A Lei n.º 11.079/2004 criou duas modalidades de parceria público-privada: a concessão patrocinada e a concessão administrativa. A lógica é simples: se o particular presta o serviço e pode cobrar tarifa do usuário, mas ainda recebe uma contraprestação pecuniária do poder público, você está diante de concessão patrocinada. É exatamente o que acontece no enunciado: a ferrovia será explorada pelo parceiro privado, haverá cobrança de tarifa dos usuários e, ao mesmo tempo, existe parcela de recursos públicos para a obra. Esse conjunto é a cara da concessão patrocinada, prevista no art. 2º, §1º, da Lei 11.079/2004. Já a concessão administrativa é outra história: nela, a Administração é a usuária direta ou indireta do serviço, e não há essa cobrança tarifária típica ao usuário final. Então, quando aparece tarifa + dinheiro público, a banca quer que você pense em PPP patrocinada, sem drama. Em resumo: tarifa do usuário + contraprestação do Estado = concessão patrocinada. É a fórmula que salva tempo na prova e evita cair na armadilha da nomenclatura parecida.

Questão 6

A respeito da administração pública direta e indireta e da responsabilidade civil do Estado, julgue o item seguinte. A vedação de constituição de empresa pública com finalidade genérica está em consonância com o princípio da especialidade.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

A administração indireta não nasce para fazer "qualquer coisa". Cada entidade é criada com um objetivo definido, ou seja, com uma finalidade específica ligada à lei que autorizou sua criação. Isso vale especialmente para as empresas públicas e sociedades de economia mista, que devem atuar em uma área determinada, e não como estruturas de uso genérico, abertas para finalidades vagas ou amplas demais. É aí que entra o princípio da especialidade: ele exige que a pessoa jurídica administrativa atue dentro do fim para o qual foi instituída. Em linguagem simples, a entidade pública não recebe um cheque em branco. Sua atuação fica presa ao objeto legalmente previsto, justamente para evitar desvio de finalidade e excesso de poder administrativo. Por isso, a vedação de constituição de empresa pública com finalidade genérica está correta e combina perfeitamente com esse princípio. Se a entidade fosse criada sem finalidade definida, haveria perda de controle jurídico sobre sua atuação, o que contrariaria a lógica da descentralização administrativa. A Constituição, no art. 37, XIX, e a doutrina administrativista tratam a criação dessas entidades como vinculada à lei e ao fim específico que justificou sua instituição. Em resumo: administração indireta não é "empresa coringa" do Estado. Ela existe para cumprir um objeto certo, previamente delimitado, e é exatamente isso que o princípio da especialidade protege.

Questão 7

Acerca do tratamento conferido pela Constituição Federal de 1988 (CF) à administração pública direta e indireta e aos seus agentes, julgue o item a seguir. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a omissão de pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços públicos enseja a incidência da responsabilidade civil objetiva.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

O art. 37, § 6º, da Constituição submete pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público ao regime de responsabilidade objetiva por danos causados nessa qualidade. O STF admite essa responsabilidade também em hipóteses de omissão ligada à prestação do serviço, quando demonstrados dano e nexo causal.

Questão 8

Assinale a opção que indica o atributo do ato administrativo que impõe a coercibilidade para seu cumprimento ou sua execução, dado que os atos que consubstanciam um provimento ou uma ordem administrativa (atos normativos, ordinatórios, punitivos) surgem com força impositiva própria do poder público, obrigando o particular ao seu fiel atendimento, sob pena de ele se sujeitar à execução forçada.

  • A)presunção de legitimidade
  • B)imperatividade
  • C)autoexecutoriedade
  • D)veracidade
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Resposta correta: B

No ato administrativo, os atributos são aquelas características que ajudam a entender por que ele funciona no mundo real. Entre os clássicos, voce costuma ver presunção de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade. Aqui, a palavra-chave do enunciado é coercibilidade: o ato impõe um dever ao particular, mesmo sem a concordância dele, porque nasce com a força do poder público. Isso é a imperatividade. Ela faz o ato administrativo produzir obrigações para o administrado, como acontece em atos normativos, ordinatórios e punitivos. Em outras palavras, o Estado não pede licença para mandar, ele ordena dentro dos limites legais. Se houver descumprimento, o particular pode sofrer consequências, inclusive execução forçada, quando cabível. Já a autoexecutoriedade é outra história: ela diz respeito à possibilidade de a Administração executar materialmente o ato sem precisar ir antes ao Judiciário, mas isso não é a mesma coisa que impor obrigação. A doutrina clássica, como Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Mello, trata a imperatividade justamente como o atributo ligado à imposição unilateral da vontade administrativa. Por isso, o gabarito é a letra B. A questão descreve exatamente o poder de impor cumprimento obrigatório, com caráter coercitivo, que é marca da imperatividade do ato administrativo.

Questão 9

Considerando o disposto na Lei n.º 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos), julgue os seguintes itens. I Embora tenha sido editada pela União, a Lei de Licitações e Contratos é considerada lei nacional, aplicando-se a todos os Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. II Quando a administração pública efetua compra de um produto não comum cujo valor é superior a um milhão, quatrocentos e trinta mil reais, deve-se utilizar a modalidade de licitação concorrência. III No caso de aquisição de material que só possa ser fornecido por empresa exclusiva, a administração pública deverá realizar contratação direta mediante dispensa de licitação. Assinale a opção correta.

  • A)Apenas o item I está certo.
  • B)Apenas o item II está certo.
  • C)Apenas os itens I e II estão certos.
  • D)Apenas os itens II e III estão certos.
  • E)Todos os itens estão certos.
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Resposta correta: C

A Lei 8.666/1993 foi editada pela União, mas tem natureza de lei nacional. Isso significa que ela cria regras gerais de licitações e contratos que vinculam União, estados, DF e municípios, dentro do seu campo de incidência. Em outras palavras: não é uma lei só para a União brincar sozinha no tabuleiro. Na parte das modalidades, a banca costuma cobrar o raciocínio do valor e do objeto. Quando a contratação ultrapassa o limite legal previsto para a modalidade adequada, a regra é usar concorrência. No item II, a ideia é essa: para a compra indicada, o valor informado leva à concorrência, então o item foi considerado certo. Já no item III mora a armadilha clássica: empresa exclusiva não gera dispensa, e sim inexigibilidade. Isso porque, se só existe um fornecedor possível, não há competição viável. A Lei 8.666/1993 trata disso no art. 25, I. Dispensa é quando a licitação seria possível, mas a lei autoriza não fazer; inexigibilidade é quando ela simplesmente não faz sentido competitivo. Por isso o gabarito é C: os itens I e II estão corretos, e o III está errado.

Questão 10

A respeito da ação de improbidade, da prescrição contra a fazenda pública, da execução do termo de ajuste de conduta (TAC), do processo judicial eletrônico e do habeas data, julgue o item a seguir. O regime jurídico da medida cautelar nas ações de improbidade administrativa traz implícito o perigo da demora, sendo dispensada prova concreta.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

No regime anterior às alterações da Lei nº 14.230/2021, a jurisprudência do STJ entendia que a indisponibilidade de bens em ação de improbidade dispensava prova concreta de dilapidação patrimonial: o periculum in mora era presumido pelo próprio regime cautelar voltado é recomposição do erário.

Perguntas frequentes

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