O Brasil enfrenta um surto de Oropouche, com mais de 8 mil casos confirmados esse ano, incluindo três mortes. Cerca de 44,5% dos casos ocorreram em estados da Região Norte. Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir. I. O principal vetor no Brasil é o maruim (Culicoides paraensis). II. A letalidade do Oropouche é geralmente muito menor que a da dengue. III. O agente etiológico envolvido é o protozoário Myxobolus braziliensis. IV. Os quadros clínicos são facilmente diferenciados da dengue pela diferença no tempo de incubação. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
A alternativa reúne as duas afirmações verdadeiras: no Brasil, o principal vetor associado ao Oropouche é o maruim Culicoides paraensis, e a doença, em regra, tem letalidade bem menor do que a dengue. Isso faz sentido porque o Oropouche costuma causar quadro febril agudo autolimitado, com óbitos raros, enquanto a dengue pode evoluir com formas graves e maior risco de morte.
- B)I e III, apenas.
Essa alternativa combina a I com a III. A I descreve corretamente o maruim Culicoides paraensis como principal vetor no Brasil, mas a III erra o agente etiológico, porque Oropouche não é causado por protozoário e sim por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus. Portanto, a presença da III invalida a combinação.
- C)II e III, apenas.
Aqui aparecem a II e a III. A II está de acordo com a clínica epidemiológica, pois a letalidade do Oropouche costuma ser muito inferior à da dengue, mas a III é incorreta porque Myxobolus braziliensis não é o agente da doença, e sim um protozoário inexistente nesse contexto, já que o Oropouche é uma infecção viral.
- D)II e IV, apenas.
Essa opção traz a II e a IV. A II é verdadeira, porque o Oropouche geralmente apresenta baixa letalidade quando comparado à dengue, porém a IV não procede, pois o tempo de incubação é parecido e sobreposto nos dois quadros, o que impede diferenciá-los com segurança apenas por esse dado. O diagnóstico diferencial depende mais do contexto epidemiológico e de exames laboratoriais.
- E)III e IV, apenas.
A alternativa reúne a III e a IV. As duas estão erradas: o agente causal não é o protozoário Myxobolus braziliensis, mas um vírus, e o tempo de incubação não permite separar facilmente Oropouche de dengue, porque os intervalos se sobrepõem. Na prática, a distinção clínica isolada é insuficiente e costuma exigir confirmação laboratorial.
Gabarito: A
A febre do Oropouche é uma arbovirose, ou seja, uma doença causada por vírus transmitido por vetor hematófago. No Brasil, o principal transmissor é o maruim, especialmente o Culicoides paraensis, aquele insetinho minúsculo que faz muito estrago sem pedir licença. Por isso, a afirmativa I está correta. A afirmativa II também está correta: em regra, a letalidade do Oropouche é bem menor do que a da dengue, que pode evoluir com formas graves e óbitos com mais frequência. O Oropouche costuma causar quadro febril agudo, cefaleia, mialgia e mal-estar, mas a gravidade e a mortalidade são, em geral, menores. Já a afirmativa III está errada porque o agente etiológico não é um protozoário. Trata-se de um vírus, o Orthobunyavirus oropoucheense, da família Peribunyaviridae. A banca adora trocar vírus por protozoário para ver quem cai na armadilha. A afirmativa IV também está errada. O período de incubação não permite diferenciar facilmente Oropouche de dengue, porque há sobreposição clínica e epidemiológica. Em prova, quando duas doenças têm sintomas parecidos, não aposte todas as fichas só no tempo de incubação: o diagnóstico exige contexto, epidemiologia e exames quando necessários.