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Saúde Pública e SUS · FGV · 2025

Questão comentada de Saúde Pública e SUS

O escopo da prevenção das doenças mudou ao longo do tempo. Em 1967, Clark D. W. (apud Starfield, 2008) afirmava que prevenção em um senso estrito significa evitar o desenvolvimento de um estado patológico e, em um senso amplo, inclui todas as medidas, entre elas, as terapias definitivas, que limitam a progressão da doença em qualquer um dos estágios. Uma distinção foi feita entre a intervenção que impede a ocorrência da doença antes de seu aparecimento – prevenção primária – e a intervenção que diagnostica precocemente, detém ou retarda a sua progressão ou suas sequelas em qualquer momento da identificação – prevenção secundária (Leavell; Clark, 1976; Starfield, 2008). Pode-se então afirmar que prevenção é todo ato que tem impacto na redução de mortalidade e morbidade das pessoas. Para a implantação de programas de rastreamento, o problema clínico a ser rastreado deve atender a alguns critérios. Sobre esses critérios, analise as afirmativas a seguir. I. Deve existir estágio pré-clínico (assintomático) bem definido, durante o qual a doença possa ser diagnosticada. II. A doença deve representar um importante problema de saúde pública que seja relevante para a população, levando em consideração os conceitos de magnitude, transcendência e vulnerabilidade. III. Aplica-se para doenças ou problemas clínicos com história natural conhecida, pouco conhecida e desconhecida. Está correto o que se afirma em:

Gabarito: B

Quando a prova fala em rastreamento, pense em uma triagem organizada para encontrar doença antes dos sintomas. A lógica é pegar o problema em uma fase pré-clínica, quando ainda existe chance real de diagnóstico e intervenção precoce. Por isso, um dos critérios clássicos é justamente haver um estágio assintomático bem definido, o que torna a busca útil e faz sentido para o sistema de saúde. Outro ponto importante é que o rastreamento não é para qualquer situação. A doença precisa ser relevante para a saúde pública, com impacto importante na população. Em termos usados na Saúde Pública, isso conversa com magnitude, transcendência e vulnerabilidade: problema frequente, grave e com possibilidade de intervenção efetiva. Agora vem a armadilha: rastreamento não é aposta no escuro. Ele exige que a história natural da doença seja conhecida, porque você precisa saber quem rastrear, quando rastrear e o que fazer depois do teste. Se a história natural é pouco conhecida ou desconhecida, o programa fica sem base técnica sólida. Então, o gabarito é B porque apenas as afirmativas I e II estão corretas. A III está errada, já que programas de rastreamento dependem de doença com história natural conhecida, e não do contrário. Esse raciocínio está alinhado aos critérios clássicos de Wilson e Jungner, muito cobrados em saúde pública.

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