A pandemia de covid-19 trouxe impactos significativos sobre os indicadores demográficos e epidemiológicos, alterando taxas de fecundidade, mortalidade e hospitalização em diferentes grupos populacionais. Esses efeitos variaram de acordo com a idade, sexo e condições de saúde prévias da população. Um desses efeitos foi:
- A)o aumento das taxas de nupcialidade e fecundidade, impulsionado pelo fortalecimento dos vínculos familiares durante o isolamento social e pela ampliação do planejamento familiar em função das mudanças na rotina;
Errada, porque a pandemia não provocou aumento geral de nupcialidade e fecundidade; em muitos lugares houve até queda desses indicadores.
- B)a maior taxa de mortalidade entre populações mais envelhecidas, devido à maior prevalência de comorbidades e à vulnerabilidade imunológica associada ao envelhecimento;
Certa, porque idosos apresentaram maior mortalidade por reunirem comorbidades, fragilidade fisiológica e maior risco de evolução grave da covid-19.
- C)a menor proporção de homens entre os hospitalizados, evidenciando uma menor vulnerabilidade masculina às formas graves da doença em comparação às mulheres;
Errada, pois a pandemia não mostrou menor vulnerabilidade masculina; em vários estudos, homens tiveram mais hospitalizações e maior risco de gravidade.
- D)a redução da proporção de óbitos masculinos em relação aos femininos, indicando um impacto desproporcionalmente maior da pandemia sobre a população feminina;
Errada, porque não houve redução da proporção de óbitos masculinos com maior impacto sobre mulheres; a literatura apontou o contrário em muitos contextos.
- E)a redução da taxa de mortalidade em populações mais envelhecidas, reflexo da maior adesão desse grupo às medidas preventivas e do aprimoramento dos protocolos de tratamento ao longo da pandemia.
Errada, já que populações envelhecidas não tiveram redução da mortalidade, mas sim aumento do risco de óbito durante a pandemia.
Gabarito: B
Na pandemia de covid-19, a vigilância em saúde mostrou algo bem conhecido em epidemiologia: a doença não atinge todo mundo do mesmo jeito. Idade avançada, comorbidades e pior resposta imunológica aumentaram muito o risco de formas graves, internação e morte. Por isso, os indicadores ficaram mais pesados justamente entre os idosos, que formam o grupo mais vulnerável em várias análises da pandemia. Esse padrão ajuda a entender por que o gabarito é a letra B. Pessoas mais envelhecidas têm maior prevalência de hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e outras condições crônicas, o que favorece desfechos piores em infecções respiratórias graves. Além disso, o envelhecimento do sistema imunológico reduz a capacidade de resposta ao vírus, elevando o risco de complicações. As alternativas erradas tentam inverter a lógica observada na pandemia. Não houve aumento geral de nupcialidade e fecundidade por isolamento, nem redução da mortalidade em idosos por adesão preventiva. Também não se confirmou menor vulnerabilidade masculina de forma global; ao contrário, em muitos cenários os homens tiveram maior risco de hospitalização e morte. Em termos de saúde pública, a leitura correta é a de desigualdade de risco: a vigilância epidemiológica precisa enxergar quem adoece mais, quem interna mais e quem morre mais. É exatamente isso que a questão cobra, e a opção B traduz o efeito mais clássico observado durante a covid-19.