Com relação às medidas de frequência de doenças, analise as afirmativas a seguir. I. A mortalidade pode ser entendida como um caso particular do conceito de incidência, quando o evento de interesse é a morte. II. A prevalência pontual mede a frequência de uma doença ou problema de saúde em um dado instante do tempo. III. A taxa de incidência é calculada como a razão entre o número de casos novos de uma determinada doença ou problema de saúde e o total de pessoa-tempo gerado a partir da população de estudo acompanhada. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa considera apenas a afirmativa I, que trata a mortalidade como um caso particular da incidência, quando o evento observado é o óbito. Isso está conceitualmente correto, porque incidência mede a ocorrência de eventos novos em uma população sob risco ao longo do tempo, e a morte pode ser esse evento. O problema é que a questão também traz as afirmativas II e III como verdadeiras, então a opção fica incompleta.
- B)II, apenas.
A alternativa traz somente a afirmativa II, segundo a qual a prevalência pontual mede a frequência de uma doença em um instante específico. A definição está correta, porque a prevalência pontual corresponde à proporção de indivíduos que têm a doença em um ponto do tempo, retratando a carga existente naquele momento. Ela, porém, não basta para a resposta, porque a afirmativa III também descreve corretamente uma medida de incidência.
- C)III, apenas.
A alternativa fica restrita à afirmativa III, que define a taxa de incidência como a razão entre casos novos e pessoa-tempo acumulado. Essa descrição está correta: quando os indivíduos são acompanhados por tempos diferentes, o denominador adequado é o total de pessoa-tempo gerado pela coorte. O erro está em deixar de fora as afirmativas I e II, que também estão corretas.
- D)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, que tratam, respectivamente, da mortalidade como incidência de óbitos e da prevalência pontual como medida em um instante específico. Ambas estão tecnicamente corretas: a primeira usa a lógica de incidência para um desfecho morte, e a segunda define a presença de casos existentes em determinado ponto do tempo. O problema é que a afirmativa III também está correta, de modo que a combinação apresentada não é a resposta completa.
- E)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas e, no mérito, todas estão corretas. A mortalidade pode ser lida como incidência quando o evento novo é o óbito, a prevalência pontual expressa a frequência da doença em um instante, e a taxa de incidência relaciona casos novos ao pessoa-tempo, que é o denominador apropriado no acompanhamento de coortes. Por isso, esta é a única opção que contempla integralmente o conteúdo tecnicamente correto da questão.
Gabarito: E
Medidas de frequência servem para responder a perguntas simples do tipo: quantas pessoas adoeceram, quantas já estão doentes e com que rapidez os casos surgem. A incidência olha para casos novos, isto é, quem entrou na contagem por ter adoecido em certo período. Por isso, quando o evento de interesse é a morte, a mortalidade pode ser entendida como um caso particular da incidência, porque também conta eventos novos ocorridos ao longo do tempo. Já a prevalência mostra o estoque de casos existentes. A prevalência pontual faz uma fotografia do problema em um instante específico, como se você tirasse um retrato da população naquele exato momento. Ela é muito usada para doenças crônicas, porque ajuda a enxergar o peso do problema em dado tempo. A incidência, por sua vez, pode ser expressa como taxa quando você relaciona os casos novos ao total de pessoa-tempo observado. Esse denominador considera o tempo em que cada indivíduo ficou em risco, o que é muito útil em coortes e acompanhamentos diferentes entre os participantes. A lógica é bem clássica em epidemiologia e aparece em livros de referência como Rouquayrol e Almeida Filho e na literatura de vigilância em saúde. Assim, as três afirmações estão corretas: mortalidade como incidência de óbitos, prevalência pontual como medida em um instante e taxa de incidência baseada em casos novos por pessoa-tempo. É uma questão que cobra mais leitura precisa dos conceitos do que conta complicada.