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Saúde Pública e SUS · FGV · 2023

Questão comentada de Saúde Pública e SUS

O financiamento do SUS no Brasil é uma responsabilidade compartilhada entre municípios, estados, Distrito Federal e a União. A transferência de recursos da União para entes subnacionais e os critérios de rateio buscam compensar disparidades entre receitas arrecadadas pelos entes federados. Entre 2014 e 2023, houve aumento da participação das emendas parlamentares na dotação orçamentária do Ministério da Saúde (aumento de 4,2% para 8,2%, cerca de R$ 7 bilhões). No mesmo período, as despesas discricionárias da mesma instituição foram reduzidas de 17,4% para 14,8% (aproximadamente R$ 5 bilhões). Considerando que as emendas parlamentares podem ser destinadas para custeio e investimentos e que podem ser propostas por cada senador ou deputado, por bancadas estaduais ou regionais e, ainda, por emendas de comissão, avalie se as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) As emendas parlamentares tendem a favorecer serviços e redes de serviços em locais nos quais os parlamentares proponentes concentram votos, e tais emendas podem ou não contemplar as demandas das localidades e regiões com maiores necessidades de saúde. ( ) As emendas parlamentares contribuem para uma alocação equilibrada de recursos para a saúde em função dos critérios de número mínimo e máximo de parlamentares por unidade da federação. ( ) Com as emendas parlamentares, a compreensão dos parlamentares sobre a relevância do orçamento do SUS foi ampliada e vem orientando iniciativas dos congressistas para compatibilizar projetos de expansão de coberturas com o orçamento. As afirmativas são, respectivamente,

Gabarito: C

No SUS, o dinheiro deveria seguir a lógica das necessidades de saúde, da regionalização e da equidade. O problema é que as emendas parlamentares nem sempre obedecem a esse desenho técnico: muitas vezes elas acabam indo para obras, serviços ou redes de saúde em locais onde o parlamentar tem mais voto, o que explica a primeira afirmativa como verdadeira. Em outras palavras, a lógica eleitoral pode entrar na frente da lógica sanitária, e aí nem sempre quem mais precisa é quem mais recebe. A segunda afirmativa erra porque as emendas não foram criadas para garantir uma distribuição equilibrada de recursos entre os entes federados. O critério de número mínimo e máximo de parlamentares por unidade da federação está ligado à representação política no Congresso, não a um mecanismo de rateio justo para a saúde. Para a saúde, o que importa é a necessidade epidemiológica, a capacidade instalada, a regionalização e os critérios legais de transferência, como os previstos na LC 141/2012. A terceira afirmativa também é falsa porque a expansão das emendas não significa, por si só, que os parlamentares passaram a planejar melhor o SUS. O texto-base mostra justamente que houve aumento forte da participação das emendas e redução das despesas discricionárias do Ministério da Saúde, o que pode comprimir a capacidade de planejamento central do sistema. Então, em vez de uma bonita sintonia entre projetos e orçamento, o que aparece é mais disputa por fatias do orçamento do que coordenação técnica. Por isso, o gabarito é C: a primeira é verdadeira, e a segunda e a terceira são falsas. Em prova, sempre desconfie quando a questão tenta vender emenda parlamentar como sinônimo de distribuição mais racional da saúde.

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