Os cadáveres podem atuar como vetores de uma pluralidade de doenças infecciosas que serão transmitidas no manejo e na análise do material orgânico em decomposição; logo, discutir sobre biossegurança em necrotérios e no serviço de autópsia é dialogar sobre a saúde e a segurança dos diversos trabalhadores deste local. CONCEIÇÃO PACHECO, P. Biossegurança nos Necrotérios e no Serviço de Autópsia. Revista Multidisciplinar Em Saúde, 1(2), 57, 2020. Com relação aos EPIs adequados para necropsia, analise as afirmativas a seguir. I. Os EPIs incluem avental cirúrgico, touca cirúrgica, roupa impermeável ou avental com mangas compridas, propés, óculos ou proteção para rosto, olhos, pele e membranas mucosas. II. Quando existe risco de patógenos em aerossóis, como o da tuberculose, durante a necropsia devem ser usados respiradores N95. III. Deve ser usado um par de luvas de couro para proteger contra cortes com facas. Essas luvas dão proteção completa também contra patógenos. Está correto o que se afirma em:
- A)somente I;
A alternativa afirma que apenas a afirmativa I estaria correta, isto é, que os EPIs citados no enunciado seriam suficientes e adequados para a necropsia. A ideia central da I está correta, porque o procedimento exige barreiras contra respingos, contato com material biológico e exposição de pele, olhos e mucosas. O problema é que a II também está correta, então a alternativa fica incompleta.
- B)somente II;
Aqui se sustenta que somente a afirmativa II estaria correta, valorizando o uso de respirador N95 quando houver risco de aerossóis, como na tuberculose. Esse raciocínio está certo, porque em situações de transmissão aérea o respirador com essa eficiência é indicado para proteger o trabalhador. Contudo, a I também descreve EPIs compatíveis com a necropsia, de modo que não se trata da única afirmativa verdadeira.
- C)somente III;
Esta opção diz que apenas a afirmativa III estaria correta, o que atribui proteção completa às luvas de couro contra cortes e contra patógenos. O trecho erra no mérito porque luvas de couro podem ajudar contra perfurações e cortes em tarefas específicas, mas não substituem barreiras biológicas nem oferecem proteção total contra agentes infecciosos. Por isso, a afirmativa III é falsa.
- D)somente I e II;
A alternativa reúne as afirmativas I e II como corretas: a I traz o conjunto de EPIs de barreira usados na necropsia, com proteção de corpo, mãos, olhos e mucosas, e a II acrescenta a indicação do respirador N95 em risco de aerossóis, como na tuberculose. Isso corresponde à lógica de biossegurança do serviço de autópsia, que exige proteção contra respingos e também contra transmissão aérea quando houver esse risco. A III fica de fora porque exagera a função das luvas de couro, tratando-as como se fossem barreira completa contra patógenos.
- E)I, II e III.
Esta alternativa afirma que as três assertivas estariam corretas e, com isso, considera suficiente também o uso de luvas de couro como proteção completa contra agentes infecciosos. O erro está justamente na III: luvas de couro servem para reduzir risco de cortes e perfurações, mas não garantem impermeabilidade nem isolamento biológico. Assim, embora I e II estejam adequadas, a presença da III torna a combinação incorreta.
Gabarito: D
Em necropsia, a lógica é simples: o corpo pode expor o trabalhador a sangue, secreções, perfurocortantes e aerossóis. Então, EPI aqui não é enfeite de laboratório, é barreira de segurança mesmo. A proteção costuma incluir avental ou roupa impermeável, mangas longas, touca, propés e proteção para olhos e face, porque o risco não fica só na mão, ele pode respingar, contaminar mucosas e atingir a pele exposta. Quando há chance de aerossóis com agentes como Mycobacterium tuberculosis, entra o respirador com capacidade de filtração adequada, como o N95, justamente porque máscara cirúrgica comum não resolve esse tipo de risco. Esse ponto é clássico em biossegurança e aparece muito em provas quando a banca quer diferenciar proteção contra gotículas de proteção contra aerossóis. A armadilha está na luva de couro. Ela ajuda a proteger contra cortes e perfurações durante o manuseio de instrumentos, mas não oferece proteção completa contra patógenos. Para isso, o que importa é a barreira biológica adequada, com luvas apropriadas e demais EPIs corretos, seguindo as rotinas de biossegurança e as normas de saúde do trabalhador. Por isso, o gabarito é D: as afirmativas I e II estão corretas, e a III está errada. Em termos práticos, a prova cobra exatamente isso: identificar o EPI certo para o risco certo, sem cair na ideia de que qualquer luva grossa vira superproteção.