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Saúde Pública e SUS · FGV · 2022

Questão comentada de Saúde Pública e SUS

Os cadáveres podem atuar como vetores de uma pluralidade de doenças infecciosas que serão transmitidas no manejo e na análise do material orgânico em decomposição; logo, discutir sobre biossegurança em necrotérios e no serviço de autópsia é dialogar sobre a saúde e a segurança dos diversos trabalhadores deste local. CONCEIÇÃO PACHECO, P. Biossegurança nos Necrotérios e no Serviço de Autópsia. Revista Multidisciplinar Em Saúde, 1(2), 57, 2020. Com relação aos EPIs adequados para necropsia, analise as afirmativas a seguir. I. Os EPIs incluem avental cirúrgico, touca cirúrgica, roupa impermeável ou avental com mangas compridas, propés, óculos ou proteção para rosto, olhos, pele e membranas mucosas. II. Quando existe risco de patógenos em aerossóis, como o da tuberculose, durante a necropsia devem ser usados respiradores N95. III. Deve ser usado um par de luvas de couro para proteger contra cortes com facas. Essas luvas dão proteção completa também contra patógenos. Está correto o que se afirma em:

Gabarito: D

Em necropsia, a lógica é simples: o corpo pode expor o trabalhador a sangue, secreções, perfurocortantes e aerossóis. Então, EPI aqui não é enfeite de laboratório, é barreira de segurança mesmo. A proteção costuma incluir avental ou roupa impermeável, mangas longas, touca, propés e proteção para olhos e face, porque o risco não fica só na mão, ele pode respingar, contaminar mucosas e atingir a pele exposta. Quando há chance de aerossóis com agentes como Mycobacterium tuberculosis, entra o respirador com capacidade de filtração adequada, como o N95, justamente porque máscara cirúrgica comum não resolve esse tipo de risco. Esse ponto é clássico em biossegurança e aparece muito em provas quando a banca quer diferenciar proteção contra gotículas de proteção contra aerossóis. A armadilha está na luva de couro. Ela ajuda a proteger contra cortes e perfurações durante o manuseio de instrumentos, mas não oferece proteção completa contra patógenos. Para isso, o que importa é a barreira biológica adequada, com luvas apropriadas e demais EPIs corretos, seguindo as rotinas de biossegurança e as normas de saúde do trabalhador. Por isso, o gabarito é D: as afirmativas I e II estão corretas, e a III está errada. Em termos práticos, a prova cobra exatamente isso: identificar o EPI certo para o risco certo, sem cair na ideia de que qualquer luva grossa vira superproteção.

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