Para se quantificar a doença, é fundamental a definição do caso e das ferramentas empregadas no diagnóstico. A definição de caso é sujeita a erros de classificação, seja ela baseada no diagnóstico clínico ou laboratorial. As propriedades dos agentes infecciosos e das características das doenças, muitas vezes dificultam seu diagnóstico. Para a elaboração de uma definição de caso é necessário considerar os indicadores de sua validade, como a sensibilidade, a especificidade e os valores preditivos positivo e negativo. No que diz respeito à definição de caso, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A sensibilidade de um teste diagnóstico é definida pela proporção de doentes corretamente identificados, isto é, com resultado positivo no teste.
Certa: sensibilidade é a proporção de doentes corretamente identificados como positivos.
- B)A especificidade de um teste é definida pela proporção de não doentes corretamente identificados, ou seja, com resultado negativo no teste.
Certa: especificidade é a proporção de não doentes corretamente identificados como negativos.
- C)A especificidade alta produz casos falso-positivos, que correspondem a indivíduos sem a doença em questão, mas cujo resultado os identifica como doentes.
Errada: especificidade alta diminui falso-positivos, não os produz.
- D)Um teste ou definição de caso de sensibilidade baixa produz casos falso-negativos, que correspondem a pessoas classificadas incorretamente como “sem a doença”.
Certa: baixa sensibilidade aumenta falso-negativos, com doentes classificados como sem a doença.
Gabarito: C
Quando voce estuda definição de caso e teste diagnóstico, o ponto central é simples: testar bem não é só achar doentes, mas também não confundir quem está saudável. Sensibilidade mede a capacidade de captar os doentes, ou seja, quanto maior ela é, menor a chance de deixar passar um caso verdadeiro. Já a especificidade mede a capacidade de reconhecer os não doentes, evitando que pessoas saudáveis sejam marcadas como doentes. Na prática, isso ajuda a entender os erros de classificação. Se a sensibilidade é baixa, aumentam os falsos-negativos: a pessoa tem a doença, mas o teste diz que não tem. Se a especificidade é baixa, aumentam os falsos-positivos: a pessoa não tem a doença, mas o teste a classifica como doente. A alternativa C está incorreta porque inverte a lógica da especificidade. Especificidade alta não produz falso-positivo; pelo contrário, ela reduz esse tipo de erro. Quem está saudavel e recebe resultado de doente é um falso-positivo, e isso acontece quando a especificidade é baixa, não alta. Esse raciocínio é clássico em epidemiologia e vigilância em saúde, muito cobrado em prova porque mistura termos parecidos, mas com efeitos opostos. Vale decorar a dupla: sensibilidade protege contra falso-negativo, especificidade protege contra falso-positivo.