“A Lei nº 8.080/1990 conceitua a saúde do trabalhador no modelo de atenção integral à saúde, que rompe com o modelo médico centrado e atribui ao Sistema Único de Saúde (SUS) as ações de promoção, proteção e assistência à saúde dos trabalhadores acidentados ou adoecidos pelo trabalho, cabendo também ao SUS as ações de vigilância dos ambientes e notificações dos agravos relacionados ao trabalho. (Lima; Souza; Rodrigues, 2020, p. 617.) As autoras apontam que o cuidado terapêutico em saúde é um processo relacional entre profissional-paciente, devendo este ocorrer no encontro entre as duas partes envolvidas que devem estar comprometidas em produzir a intervenção em saúde, lançando mão de tecnologias, duras ou leves. Diante do exposto, podemos afirmar que o profissional deverá:
- A)Planejar percurso ou trajetória empreendida pela pessoa que se depara com problemas de saúde, na sua busca em resolvê-los, a partir de redes formais e informais de atendimento, apoio e pertencimento social.
Está mais relacionada ao itinerário terapêutico da pessoa e suas redes de apoio, e não à postura do profissional no encontro de cuidado.
- B)Compreender como os serviços de saúde disponibilizam a produção dos cuidados, quais as lógicas técnico-assistenciais que os direciona, que eles acolhem as pessoas necessitadas e suas famílias, e em quemedida tal demanda é efetivamente atendida.
Fala de organização e lógica dos serviços de saúde, tema importante, mas não descreve a atitude terapêutica esperada do profissional.
- C)Realizar uma atuação humanizada e assumir um cuidado buscando garantir que esse profissional esteja implicado em acolher, dialogar e participar juntamente com o indivíduo, fazendo com que o processo de cuidado em saúde aconteça dialeticamente no sentido de promoção de um cuidado integral à saúde.
Correta, porque expressa acolhimento, diálogo, participação conjunta e cuidado integral, exatamente a lógica relacional destacada no enunciado.
- D)Auxiliar no reconhecer dos diferentes recursos escolhidos e/ou utilizados pela pessoa na busca por cuidados terapêuticos, sejam eles: cuidados caseiros, práticas religiosas, serviços de saúde públicos ou privados e/ou outras práticas envolvidas no contexto de vida do trabalhador e no que ele mesmo acredita que seja o cuidado à sua saúde.
Refere-se ao reconhecimento dos recursos usados pela pessoa para cuidar da saúde, mas não traduz a ação central de conduzir o encontro terapêutico de forma humanizada.
Gabarito: C
A questão mistura dois pontos clássicos da Saúde Pública: a noção ampliada de saúde do trabalhador na Lei nº 8.080/1990 e o cuidado terapêutico como relação, não como ato mecânico. Pela lei, a saúde do trabalhador integra o campo de atuação do SUS e envolve promoção, proteção, recuperação, vigilância dos ambientes e notificação dos agravos relacionados ao trabalho. Ou seja: não basta tratar a doença depois que ela aparece, o SUS também deve olhar o contexto em que o adoecimento acontece. No enunciado, as autoras destacam que o cuidado terapêutico nasce no encontro entre profissional e paciente, com construção compartilhada da intervenção e uso de tecnologias duras e leves. Isso aponta para uma postura humanizada, dialógica e integral. Em linguagem de prova: o profissional não deve ser um "fazedor de procedimentos" solto no mundo, mas alguém que acolhe, conversa, participa e constrói o cuidado junto com a pessoa. É por isso que a alternativa C está correta: ela descreve exatamente uma atuação humanizada, implicada, com acolhimento, diálogo e participação conjunta, favorecendo um cuidado integral em saúde. Esse é o espírito da integralidade no SUS e também da Política Nacional de Humanização, que valoriza vínculo, escuta qualificada e corresponsabilização no cuidado. As demais alternativas trazem ideias verdadeiras do campo da saúde, mas não respondem ao foco do enunciado, que é a postura do profissional no processo relacional de cuidado terapêutico. Aqui a banca quer perceber se você entende que cuidar em saúde vai além da técnica e envolve interação, vínculo e construção compartilhada do projeto terapêutico.