Conforme proposto por Paulo Freire, aos trabalhadores da saúde cabe o desafio de contribuir ativamente com seus pacientes na luta pelo direito à saúde. É correto dizer que o filósofo, ao propor que “a saúde não pode ser uma mercadoria”, enxergava-a como:
- A)Abstrata e sem relação direta com o sistema econômico nacional, porque é uma necessidade fundamental, e não um aspecto social que caiba ao governo ou ao comércio.
Errada, porque reduz a saúde a algo abstrato e desconectado da realidade social e econômica, o que contraria a crítica freireana à mercantilização.
- B)Incondizente com o poder estatal, visto que a saúde deveria caber somente ao setor terciário da economia, que é suficiente para atender equitativamente toda a população.
Errada, porque não faz sentido limitar a saúde a um setor econômico, já que ela é direito social e dever do Estado, não privilégio de mercado.
- C)Necessária para a autonomia coletiva, uma vez que a população tem o direito de se apropriar do sistema de saúde vigente no país e disputar por sua satisfação com o atendimento.
Certa, porque expressa a ideia de saúde como direito coletivo, ligado à participação social e à luta da população pela qualidade do sistema de saúde.
- D)Intrínseca ao setor comercial, pois tomava o aspecto bancário da saúde como fundamental para a disputa mercadológica, que acarreta baixos preços ao aquecer a economia e, por conseguinte, facilita o acesso da população a planos de saúde privados.
Errada, porque trata a saúde como mercadoria e investimento comercial, exatamente o oposto da visão de Paulo Freire.
Gabarito: C
Paulo Freire defendia uma visão crítica da sociedade, em que os direitos sociais não podem ficar reféns do mercado. Quando ele diz que “a saúde não pode ser uma mercadoria”, a ideia central é simples: saúde é direito humano e social, não produto para quem pode pagar mais. Isso dialoga com a Constituição de 1988, que trata a saúde como direito de todos e dever do Estado, e com a lógica do SUS, criado para garantir universalidade, integralidade e equidade. Na prática, isso significa que o acesso à saúde não deve depender de renda, status ou poder de compra. Se a saúde vira mercadoria, a lógica muda: quem tem mais consegue mais, e quem tem menos enfrenta barreiras. Freire critica exatamente essa naturalização da desigualdade, incentivando trabalhadores da saúde e a população a participarem da defesa do direito à saúde. Por isso, a alternativa C está correta ao relacionar saúde com autonomia coletiva e apropriação social do sistema de saúde. A ideia é que a população não seja apenas espectadora, mas participe da luta e da organização do sistema, disputando melhorias e satisfação com o atendimento. Isso conversa bem com o controle social previsto no SUS, por meio de conselhos e conferências de saúde. Resumindo: para Freire, saúde não é item de prateleira, é direito a ser conquistado e defendido coletivamente. Quando a questão fala em luta pelo direito à saúde, ela está apontando para essa visão crítica, cidadã e emancipadora.