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Saúde Pública e SUS · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Saúde Pública e SUS

A pandemia de covid-19 tem afetado toda a população, em especial os que se encontram em situação de vulnerabilidade, como os trabalhadores e trabalhadoras de atividades essenciais da área da saúde. Os agentes de combate às endemias (ACE) atuam no “combate” a vetores de doenças utilizando agrotóxicos e estão submetidos à exposição contínua a esses produtos, sem acompanhamento médico, o que tem resultado em processos de adoecimento e mortes. Alguns dos sinais e sintomas relacionados a essa exposição podem ser semelhantes aos de outras doenças, como a covid-19. As condições de trabalho colocam os ACE em risco de covid-19 devido à circulação frequente e à sua necessidade de entrar nas residências. L.C. Meireles et al. Agentes de combate às endemias: uma população em risco no enfrentamento da Covid-19. In: M.C. Portela et al, eds. Covid-19: desafios para a organização e repercussões nos sistemas e serviços de saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2022 (com adaptações). No texto precedente foram descritos fatores de risco ocupacional dos tipos

Gabarito: A

Na vigilância em saúde, os riscos ocupacionais costumam ser classificados pela natureza do agente: químico, biológico, físico, ergonômico e mecânico/acidentário. Aqui, a banca quis que voce identificasse dois elementos do texto: a exposição dos ACE a agrotóxicos e o contato com o SARS-CoV-2 no trabalho. Agrotóxicos são agentes químicos, porque envolvem substâncias capazes de intoxicar e adoecer o trabalhador por inalação, contato ou absorção. Já a covid-19 é uma doença causada por um vírus, então entra como risco biológico, pois decorre da exposição a microrganismos patogênicos. O detalhe importante é que o enunciado mistura dois contextos de risco. Um vem do produto utilizado na atividade de combate às endemias, que tem natureza química. O outro vem da própria circulação e entrada nas residências durante a pandemia, o que aumenta a chance de contato com o agente infeccioso. É exatamente essa leitura que a banca gosta: separar a fonte do risco, sem confundir doença com consequência. No plano conceitual, isso dialoga com a lógica da vigilância em saúde do trabalhador e com a atuação do SUS na identificação e prevenção de agravos relacionados ao trabalho. Em termos práticos, o que importa é reconhecer o agente causal do dano. Agrotóxico aponta para risco químico; vírus aponta para risco biológico. Por isso, o gabarito está correto ao reunir os tipos químico e biológico. A questão não cobra técnica de laboratório, mas leitura atenta e classificação básica dos riscos ocupacionais.

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