Um homem de sessenta anos de idade, motorista de táxi, procura a unidade básica de saúde (UBS), pois apresenta lesão em dorso em forma de úlcera, cujo padrão típico levou a médica da UBS suspeitar de leishmaniose tegumentar (LT), confirmada na mesma semana. A médica diagnosticou há menos de 6 meses outro caso de LT em domicílio vizinho ao do paciente. Considerando-se as informações precedentes, é correto afirmar que as principais medidas de prevenção e(ou) controle de vetores que a rede de atenção à saúde do município deve realizar consistem em
- A)orientação de cuidados de higiene das mãos e dos alimentos.
Errada, porque orientação de higiene das mãos e dos alimentos é típica de doenças de transmissão fecal-oral, não de leishmaniose.
- B)utilização de armadilhas para baratas e formigas.
Errada, pois armadilhas para baratas e formigas não têm relação com o vetor da leishmaniose tegumentar.
- C)implantação de saneamento básico e controle de qualidade da água para consumo humano.
Errada, porque saneamento básico e controle da água são medidas importantes, mas voltadas a outras doenças, não ao controle principal da LT.
- D)realização de inquérito coprológico e tratamento dos portadores assintomáticos.
Errada, já que inquérito coprológico e tratamento de assintomáticos são medidas ligadas a parasitoses intestinais, não à leishmaniose.
- E)aplicação de inseticidas de ação residual.
Certa, porque a aplicação de inseticidas de ação residual é medida clássica de controle do vetor da leishmaniose tegumentar.
Gabarito: E
A leishmaniose tegumentar é uma doença transmitida por vetor, geralmente o flebotomíneo, aquele mosquito pequenininho que muita gente nem percebe, mas que faz um estrago considerável. Quando a vigilância identifica um caso humano e ainda encontra outro caso recente na vizinhança, a rede de saúde precisa agir na lógica da vigilância em saúde: detectar, investigar a área e reduzir o risco de transmissão. Aqui, o foco não é água, fezes, higiene das mãos ou controle de baratas, porque isso aponta para outras doenças e outros modos de transmissão. Na prevenção e no controle da LT, uma medida importante é atacar o vetor no ambiente onde ele circula. Entre as ações possíveis, está a aplicação de inseticidas de ação residual, que ajuda a reduzir a população de flebotomíneos nas áreas com transmissão ou risco aumentado. É uma medida clássica de controle vetorial, especialmente quando há ocorrência de casos próximos no tempo e no espaço. Do ponto de vista doutrinário, isso se encaixa nas ações de vigilância em saúde previstas na organização do SUS, com atuação integrada da vigilância epidemiológica, ambiental e da atenção básica. A lógica é simples: se o problema é transmitido por vetor, a resposta principal deve mirar o vetor, o reservatório e o ambiente, não medidas genéricas de saneamento que são importantes, mas não resolvem o ponto central da questão. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Ela traz exatamente uma medida de controle vetorial compatível com leishmaniose tegumentar: aplicação de inseticidas de ação residual.