A respeito de saúde coletiva e de conceitos a ela relacionados, é correto afirmar que
- A)saúde e doença são acasos no destino das pessoas.
Errada, porque saúde e doença não são acaso do destino, mas resultado de determinantes biológicos, sociais, econômicos e ambientais.
- B)basta a inexistência de doenças para que se possa considerar que uma comunidade tem saúde.
Errada, porque a saúde não é apenas ausência de doença; a OMS e a doutrina de saúde coletiva tratam saúde como bem-estar e condição produzida socialmente.
- C)as possibilidades de adoecimento e morte são distintas em função da classe ou do grupo social, da cultura, da raça, da geração e do gênero.
Certa, porque o risco de adoecer e morrer varia conforme classe social, cultura, raça, geração e gênero, refletindo os determinantes sociais da saúde.
- D)um melhor nível de saúde na sociedade pode ser alcançado apenas com investimentos em serviços de saúde voltados ao atendimento das doenças das pessoas.
Errada, porque melhorar a saúde da sociedade exige também prevenção, promoção da saúde e ações sobre os determinantes, não só tratamento de doenças.
- E)qualquer concepção de promoção de saúde leva em conta que a população é mero alvo dos programas, não podendo ser parte atuante no enfrentamento do problema.
Errada, porque a promoção da saúde pressupõe participação ativa da população, e não a trata como mero alvo passivo de programas.
Gabarito: C
Saúde coletiva olha para a saúde como um fenômeno social, e não como algo que depende só da sorte ou apenas de hospitais e remédios. Na visão do SUS e da epidemiologia social, adoecer e morrer não acontecem do mesmo jeito para todo mundo: isso varia conforme condições de vida, trabalho, renda, moradia, raça/cor, gênero, geração e cultura. Em outras palavras, os determinantes sociais da saúde mudam o risco e o acesso ao cuidado. É por isso que a alternativa C está correta. Ela traduz exatamente a ideia de que as possibilidades de adoecimento e morte são desiguais na população, porque a saúde é produzida socialmente. Esse raciocínio é coerente com a Lei nº 8.080/1990, que reconhece como determinantes e condicionantes da saúde a alimentação, a moradia, o saneamento, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. As demais opções escorregam para visões antigas ou simplificadas demais. Não basta somar atendimento médico e pronto, porque promoção da saúde envolve prevenção, participação social e ações sobre os determinantes. Também não existe saúde como mera ausência de doença, nem a população pode ser tratada como espectadora passiva. O SUS gosta de rede, território e gente participando, não de receita mágica de consultório.