Acerca das redes de atenção à saúde (RDAs), assinale a opção correta.
- A)As RDAs têm seu foco nas condições agudas, por meio de unidades de pronto atendimento.
Errada, porque as RAS não têm foco nas condições agudas nem se limitam às unidades de pronto atendimento; elas abrangem cuidado contínuo e integral.
- B)O modelo de atenção das RDAs é fragmentado por ponto de atenção à saúde, sem estratificação de riscos e voltado para as condições de saúde estabelecidas.
Errada, pois as RAS procuram superar a fragmentação, usar estratificação de riscos e organizar o cuidado conforme as necessidades de saúde.
- C)As RDAs enfatizam o cuidado centrado nos profissionais, especialmente nos médicos.
Errada, porque o cuidado nas RAS é centrado no usuário e na população, não nos profissionais nem, especialmente, nos médicos.
- D)No âmbito das RDAs, a participação social é passiva e a comunidade é vista como cuidadora.
Errada, já que a participação social no SUS é ativa e a comunidade não é vista apenas como cuidadora passiva.
- E)O planejamento das necessidades de uma RDA é definido pela situação das condições de saúde da população adscrita, nelas inclusos seus valores e preferências.
Certa, pois o planejamento da RAS deve considerar a situação de saúde da população adscrita, incluindo riscos, valores e preferências.
Gabarito: E
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são um jeito de organizar o SUS para que o cuidado não fique em pedaços soltos, mas funcione como uma rede integrada. A ideia é ligar os pontos de atenção - atenção primária, especializada, hospitalar, urgência e apoio diagnóstico - com fluxo definido, coordenação do cuidado e foco nas necessidades reais da população. Na prática, a Atenção Primária costuma ser a porta de entrada preferencial e a coordenadora dessa rede. Um ponto central das RAS é que o planejamento não nasce do nada: ele parte da situação de saúde da população adscrita, considerando riscos, vulnerabilidades, valores e preferências das pessoas. Isso conversa diretamente com a lógica de cuidado centrado no usuário e não apenas na doença. Esse desenho está em linha com a organização do SUS por regionalização, integralidade e resolutividade, reforçada por normas como a Portaria GM/MS nº 4.279/2010, que instituiu diretrizes para as RAS. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve exatamente essa lógica de planejamento orientada pelas necessidades da população, incluindo seus valores e preferências. Já as demais alternativas tentam empurrar a rede para um modelo antigo e fragmentado, com foco em procedimento, profissional ou urgência isolada, o que vai na contramão do conceito de RAS. Em resumo: rede de atenção não é um monte de serviço solto brigando entre si. É um sistema articulado, com coordenação, continuidade e cuidado centrado na pessoa e no território.