Na avaliação por tomografia computadorizada (TC) de um paciente com quadro clínico sugestivo de abdome agudo não traumático, a otimização do protocolo de aquisição é fundamental para o diagnóstico etiológico. Em relação a esse protocolo, assinale a conduta técnica mais apropriada:
- A)Aquisição de imagens apenas na fase sem contraste, seguida de injeção de contraste iodado intravenoso, com volume fixo de 50 mL, independentemente do peso do paciente.
Errada, porque usa apenas fase sem contraste e ainda fixa um volume de contraste sem levar em conta o peso do paciente, o que empobrece a avaliação etiológica.
- B)Aquisição de imagens em fase arterial, com injeção de alto volume (150mL) e alta taxa de fluxo (5mL/s) de contraste iodado intravenoso, para melhor avaliação de estruturas vasculares.
Errada, porque prioriza fase arterial e alto volume de contraste como se fosse estudo vascular, o que não é o protocolo típico para abdome agudo não traumático.
- C)Aquisição de imagens na fase sem contraste e, após injeção de contraste iodado intravenoso, aquisição nas fases portal e de equilíbrio, ajustando a taxa de fluxo e o volume de contraste ao peso do paciente.
Certa, porque associa fase sem contraste, contraste intravenoso ajustado ao peso e aquisição nas fases portal e de equilíbrio, que é uma estratégia adequada para investigação etiológica.
- D)Aquisição de imagens na fase sem contraste e, após injeção de contraste iodado intravenoso, aquisição apenas na fase portal, com volume fixo de 100 mL, independentemente do peso do paciente, para otimizar o tempo do exame.
Errada, porque limita o exame à fase portal e usa volume fixo, ignorando a necessidade de personalização e de fases complementares quando indicadas.
Gabarito: C
Na tomografia do abdome agudo não traumático, o objetivo principal é aumentar a chance de achar a causa da dor sem transformar o exame em um “show de fases” desnecessário. Em geral, a fase sem contraste ajuda a identificar sangue, cálculos e algumas calcificações; depois, o contraste intravenoso melhora muito a avaliação de inflamação, isquemia, perfuração, abscessos e alterações vasculares associadas. O ponto central é que o protocolo precisa ser racional: não basta “jogar contraste” e pronto. A dose e a velocidade de injeção devem ser ajustadas ao peso do paciente e ao objetivo do exame, porque isso melhora a opacificação e a qualidade diagnóstica. Em abdome agudo, a fase portal costuma ser a mais útil para a maior parte das causas não traumáticas, e a fase de equilíbrio pode complementar quando há necessidade de melhor caracterização de lesões ou processos inflamatórios. Por isso o gabarito é a alternativa C. Ela descreve um protocolo técnico coerente: imagem sem contraste, contraste iodado intravenoso com ajuste de volume e fluxo ao peso do paciente, e aquisição nas fases portal e de equilíbrio. Esse é o tipo de estratégia que realmente ajuda na investigação etiológica do abdome agudo, sem desperdício de dose nem de contraste. Como base doutrinária, isso está alinhado com recomendações usuais de protocolos em TC abdominal, em que a fase portal é a principal para a maioria dos quadros agudos não traumáticos, reservando fases adicionais conforme a suspeita clínica.