Em relação ao tratamento para o câncer de próstata utilizando o hipofracionamento com radioterapia externa, assinale a afirmativa correta.
- A)O principal benefício da técnica com hipofracionamento em comparação com a convencional é sobre a sua melhoria em relação ao desfecho de sobrevida bioquímica.
Errada, porque o principal benefício do hipofracionamento não é superioridade comprovada em sobrevida bioquímica, e sim conveniência e base radiobiológica favorável.
- B)O CHHiP Trial é um dos principais estudos de fase 2 que comparou o hipofracionamento extremo ao convencional.
Errada, porque o CHHiP Trial é um estudo de fase 3, e não comparou hipofracionamento extremo com o convencional.
- C)Fracionamento moderado e fracionamento extremo utilizam frações semelhantes, divergindo entre si apenas quanto à tecnologia incorporada.
Errada, porque fracionamento moderado e extremo diferem justamente na dose por fração e no número de frações, não só na tecnologia.
- D)A razão alfa/beta da próstata é maior que a de tecidos sadios, e por isso há um benefício no uso do hipofracionamento.
Errada, porque a lógica é o contrário: o câncer de próstata costuma ter alfa/beta menor que muitos tecidos sadios, o que favorece o hipofracionamento.
- E)O hipofracionamento moderado (240-340cGy/fração), pelo consenso de hipofracionamento da ASTRO está recomendado para tumores de próstata de todas as classificações de risco.
Certa, porque o hipofracionamento moderado em faixa de 240 a 340 cGy por fração é recomendado pelo consenso da ASTRO para câncer de próstata em diferentes classificações de risco.
Gabarito: E
Na radioterapia externa para câncer de próstata, a ideia do hipofracionamento é simples: dar menos frações, porém com dose maior por fração. Isso faz sentido biológico porque o tumor de próstata tem um comportamento que tende a responder bem a doses por sessão mais altas, com um índice alfa/beta baixo, parecendo mais sensível a esse tipo de esquema do que muitos tecidos sadios ao redor. O hipofracionamento moderado, em geral entre 2,4 e 3,4 Gy por fração, já tem boa base de evidência e foi incorporado por consensos importantes, como o da ASTRO, como opção recomendada para pacientes com câncer de próstata em diferentes grupos de risco. Ou seja: não é uma estratégia só para caso "leve" ou só para um nicho muito específico. A pegadinha clássica é confundir hipofracionamento moderado com o extremo. O moderado mantém frações acima do convencional, mas sem ir para esquemas muito agressivos por sessão. Já o hipofracionamento extremo, também chamado de SBRT, usa poucas frações com dose bem alta e exige critérios mais seletivos. Por isso, a afirmativa correta é a que descreve o hipofracionamento moderado (240-340 cGy por fração) como recomendado, no consenso da ASTRO, para tumores de próstata de todas as classificações de risco. Esse é o ponto que a banca quer: entender que o esquema moderado virou prática aceita e consolidada, não uma curiosidade experimental.