Um efeito relacionado à alta osmolalidade dos meios de contraste iodados é o(a)
- A)aumento da pressão arterial devido à vasoconstrição causada pela migração de água para fora do vaso.
Errada, porque a migração de água para fora do vaso não explica vasoconstrição como efeito principal do contraste hiperosmolar.
- B)migração da água para o interstício, resultando em hemácias mais flexíveis e melhora no fluxo capilar.
Errada, pois a água não migra para o interstício para melhorar o fluxo capilar; o efeito é o oposto, com maior permanência de água no intravascular.
- C)expansão do volume sanguíneo devido à migração da água para o interior do vaso, podendo levar à descompensação em pacientes com disfunção cardíaca.
Certa, porque a alta osmolalidade atrai água para dentro do vaso, aumenta o volume sanguíneo e pode sobrecarregar pacientes com disfunção cardíaca.
- D)aumento da contratilidade cardíaca e ausência de alterações nas hemácias em ambientes de alta osmolalidade.
Errada, porque contrastes hiperosmolares podem sim alterar as hemácias e não são descritos como sem efeitos celulares.
- E)melhora da tolerabilidade ao meio de contraste em função da osmolalidade elevada.
Errada, porque os meios de contraste de alta osmolalidade tendem a ter pior tolerabilidade, não melhor.
Gabarito: C
Os meios de contraste iodados mais antigos e mais concentrados podem ter alta osmolalidade, ou seja, “puxam” água para onde estão em maior concentração. No corpo, isso faz a água migrar para o interior do vaso, aumentando o volume intravascular. Parece pequeno no papel, mas na prática isso pode pesar bastante em quem já tem coração fraco ou insuficiência cardíaca. Esse efeito hemodinâmico ajuda a entender por que os contrastes hiperosmolares podem causar desconforto, sobrecarga circulatória e pior tolerabilidade em pacientes suscetíveis. Além disso, a alta osmolalidade também pode interferir nas células sanguíneas, como as hemácias, e favorecer alterações microcirculatórias. Por isso, o gabarito é a letra C: a água migra para o interior do vaso, expandindo o volume sanguíneo, o que pode descompensar pacientes com disfunção cardíaca. É exatamente a lógica fisiológica cobrada em provas: contraste hiperosmolar não é neutro, ele mexe com distribuição de água e com a hemodinâmica. Em doutrina de radiologia e farmacologia do contraste, isso é descrito como efeito típico dos contrastes iodados de alta osmolalidade, motivo pelo qual os agentes mais modernos tendem a ser de menor osmolalidade e melhor tolerados.