Sobre o prognóstico e estadiamento do câncer de mama, assinale a afirmativa correta.
- A)O acometimento da fossa supra clavicular ipsilateral ao tumor deve ser estadiado como N3c somente se houver acometimento também dos linfonodos axilares ipsilaterais.
Errada, porque o comprometimento da fossa supraclavicular ipsilateral já classifica como N3c, sem exigir acometimento axilar associado.
- B)Em se tratando do estadiamento linfonodal da axila é necessário algum tipo de exame de imagem, como mamografia ou ultrassom.
Errada, porque o estadiamento linfonodal da axila não depende obrigatoriamente de mamografia ou ultrassom, sendo a avaliação baseada no exame clínico e na abordagem anatomopatológica quando indicada.
- C)As micrometástases linfonodais (pN1mic) são definidas como depósitos tumorais de 2 a 5 mm.
Errada, porque micrometástases linfonodais (pN1mi) medem acima de 0,2 mm e até 2 mm; depósitos de 2 a 5 mm não são micrometástases.
- D)O carcinoma inflamatório, classificado como cT4d, é uma entidade clínico-patológica caracterizada com edema e eritema difusos em um terço ou mais da pele da mama.
Certa, porque o carcinoma inflamatório é um subtipo clinicamente definido por edema e eritema difusos em pelo menos um terço da pele da mama, sendo classificado como cT4d.
- E)O perfil hormonal e o índice de proliferação do ki67 não interferem no prognóstico da paciente.
Errada, porque o perfil hormonal e o Ki-67 interferem sim no prognóstico e também na definição terapêutica do câncer de mama.
Gabarito: D
No câncer de mama, o prognóstico e o estadiamento não dependem só do tamanho do tumor: o comportamento biológico também pesa bastante. Por isso, hoje se olha receptor hormonal (estrogênio e progesterona), HER2 e o índice de proliferação Ki-67, porque esses dados ajudam a estimar agressividade, resposta ao tratamento e risco de recidiva. Ou seja, o tumor não é só “onde está” e “quanto mede”, mas também “como se comporta”. No estadiamento, os linfonodos têm regras bem específicas no sistema TNM (AJCC/UICC). Micrometástase não é depósito de 2 a 5 mm: isso já entra em outra categoria. E acometimento de cadeia supra clavicular ipsilateral é, por si só, N3c, independentemente de haver ou não linfonodo axilar positivo. A banca adora trocar esses detalhes para ver se você está lendo o TNM com calma, sem atropelar. O item correto é o da alternativa D: o carcinoma inflamatório é uma apresentação clínica agressiva, classificada como cT4d, caracterizada por edema e eritema difusos que acometem pelo menos um terço da pele da mama. O ponto-chave é que o diagnóstico é clínico-patológico e a pele fica com aspecto inflamatório difuso, geralmente por invasão de linfáticos dérmicos. É um quadro clássico de alto risco, que costuma exigir tratamento sistêmico e radioterapia no contexto multimodal. Então, para guardar: receptor hormonal e Ki-67 influenciam prognóstico, o TNM linfonodal tem critérios próprios, e carcinoma inflamatório não é “qualquer mama vermelha”. Quando aparece edema e eritema difusos em área extensa da pele mamária, acende o alerta para cT4d, que é exatamente o que torna a alternativa D correta.