Paciente do sexo feminino, 46 anos, sem histórico de tabagismo, queixando-se de tosse seca e cansaço. A paciente realizou tomografia computadorizada como parte da rotina diagnóstica. Em relação ao diagnóstico e às características radiológicas da sarcoidose, assinale a afirmativa correta.
- A)Sarcoidose é causada por exposição ocupacional a poeira de sílica e caracteriza-se por granulomas caseosos nos linfonodos mediastinais.
Errada: a descrição mistura silicose com sarcoidose, mas sarcoidose não é causada por poeira de sílica e os granulomas são não caseosos.
- B)Derrame pleural é um achado comum na sarcoidose e ajuda a diferenciá-la da silicose.
Errada: derrame pleural não é um achado comum na sarcoidose, e sua presença não é o principal elemento para diferenciar da silicose.
- C)A sarcoidose é tipicamente identificada por nódulos pulmonares solitários e calcificações restritas a uma única cadeia de linfonodos.
Errada: a sarcoidose geralmente é bilateral e multifocal, não se limita a nódulo solitário nem a calcificação em uma única cadeia linfonodal.
- D)O diagnóstico de sarcoidose é confirmado apenas pela ausência de exposição ocupacional e achados inespecíficos na tomografia computadorizada.
Errada: o diagnóstico não se baseia apenas em ausência de exposição ocupacional e TC inespecífica, mas em conjunto clínico-radiológico e, muitas vezes, histopatológico.
- E)Os achados radiológicos típicos da sarcoidose incluem pequenos nódulos com distribuição perilinfática, opacidades parenquimatosas bilaterais perihilares e alterações fibróticas.
Certa: esses são os achados radiológicos clássicos da sarcoidose, especialmente os pequenos nódulos perilinfáticos, o predomínio perihilar bilateral e as alterações fibróticas.
Gabarito: E
A sarcoidose é uma doença inflamatória sistêmica, de causa ainda não totalmente definida, marcada pela formação de granulomas não caseosos. Na tomografia, o padrão mais clássico é de pequenos nódulos distribuídos ao longo das vias linfáticas, ou seja, de forma perilinfática, com predomínio peribroncovascular, subpleural e nas fissuras. Isso costuma aparecer junto com linfonodomegalias hilares e mediastinais bilaterais, muitas vezes de forma bem simétrica, o que já acende a luzinha do radiologista. Com a evolução, a doença pode deixar opacidades parenquimatosas bilaterais, especialmente nas regiões perihilares, e também sinais de fibrose, como distorção arquitetural e bronquiectasias de tração. Em outras palavras: a imagem pode começar com nódulos pequenos e “bem comportados” e, nos casos mais avançados, ganhar cara de doença crônica com cicatriz pulmonar. O gabarito é a letra E porque ela reúne exatamente os achados mais típicos da sarcoidose na imagem: nódulos perilinfáticos, opacidades bilaterais perihilares e alterações fibróticas. Esse é o trio clássico que a prova gosta de cobrar. Não há um critério legal aqui, claro, mas na prática radiológica o diagnóstico imagético é fortemente apoiado por esse conjunto de achados, sempre correlacionado com clínica e, quando necessário, confirmação histológica. Fique atento: sarcoidose não é sinônimo de silicose, não costuma se apresentar como nódulo pulmonar solitário e derrame pleural não é achado comum. A banca adora trocar uma doença granulomatosa por outra e ver quem cai no detalhe.