Sobre a avaliação de placas ateroscleróticas por tomografia computadorizada cardíaca (CTCA), assinale a afirmativa correta.
- A)Placas não calcificadas são irrelevantes para a avaliação do risco de síndrome coronariana aguda (ACS).
Errada, porque placas não calcificadas podem ser justamente as mais associadas à vulnerabilidade e ao risco de ACS.
- B)O fenômeno de Glagov refere-se à remodelação arterial que reduz o lúmen antes que a estenose atinja 40%.
Errada, porque o fenômeno de Glagov descreve remodelação compensatória positiva, que preserva o lúmen no início da doença, e não redução precoce do lúmen antes de 40% de estenose.
- C)A "morfologia de anel de guardanapo" (napkin ring) é associada a placas fibrosas de baixo risco.
Errada, porque o sinal em napkin ring é marcador de placa vulnerável, ligado a maior risco, e não de placa fibrosa de baixo risco.
- D)A remodelação positiva e as placas de baixa densidade podem indicar maior risco de ACS dentro de 90 dias.
Certa, porque a remodelação positiva e a baixa densidade da placa são achados de placa vulnerável associados a maior risco de ACS em curto prazo.
- E)A gravidade da estenose percentual é a medida mais precisa da gravidade da doença arterial coronariana (CAD).
Errada, porque a gravidade da estenose percentual não é, isoladamente, o melhor preditor de risco; composição e morfologia da placa são mais informativas.
Gabarito: D
Na tomografia computadorizada cardíaca (CTCA), o interesse não é só saber se a artéria estreitou, mas também como a placa aterosclerótica se comporta. Isso porque nem toda placa que causa pouca estenose é inofensiva: algumas têm morfologia “vulnerável” e podem romper, levando a síndrome coronariana aguda (ACS). Em outras palavras, a placa pode parecer pequena no mapa, mas ser perigosa no trânsito. Entre os achados associados a maior risco estão a remodelação positiva, a baixa densidade da placa, o sinal do napkin ring e a presença de placas não calcificadas ou mistas com características de vulnerabilidade. Esses achados sugerem atividade inflamatória, núcleo lipídico e tendência à ruptura, o que aumenta o risco de eventos agudos nos meses seguintes. A alternativa D está correta porque a remodelação positiva, somada a placas de baixa densidade, é um conjunto clássico de achados de placa vulnerável, relacionado a maior risco de ACS em curto prazo, inclusive em cerca de 90 dias. Esse raciocínio é bem alinhado com a literatura de imagem cardíaca e com os critérios de placa de alto risco usados na prática e em diretrizes da área. Já a medida de estenose percentual, sozinha, não é a melhor forma de estimar risco. A CTCA moderna valoriza muito mais a composição e a morfologia da placa do que apenas o grau de estreitamento. Ou seja: nem sempre a “placa mais apertada” é a mais perigosa.