Um paciente deu entrada na Emergência com histórico de queda e queixa de dor intensa no quadril direito. O equipamento de tomografia encontra-se em manutenção, de modo que somente estão disponíveis exames radiográficos convencionais (Raios-X). O exame radiológico e as incidências mais indicadas para a avaliação inicial desse paciente são
- A)radiografia simples da bacia em ortostática e incidência tangencial do fêmur proximal.
Errada, porque ortostática não é a melhor escolha no trauma agudo doloroso e a incidência tangencial do fêmur proximal não é a abordagem padrão inicial.
- B)radiografias PA (póstero-anterior) da bacia e do quadril direito.
Errada, porque a nomenclatura e o conjunto de incidências não são os mais indicados para suspeita de fratura de quadril na emergência, faltando a lateral adequada do lado acometido.
- C)radiografia panorâmica de coluna lombar em AP (anteroposterior) e lateral, estendendo-se até o quadril.
Errada, porque exame de coluna lombar não é o foco do quadro e não substitui a avaliação direta da bacia e do quadril traumatizado.
- D)radiografia AP (anteroposterior) da bacia englobando ambos os quadris, e incidência lateral cross-table do quadril direito.
Certa, porque a AP da bacia com ambos os quadris e a lateral cross-table do quadril direito são as incidências iniciais mais úteis e seguras no trauma.
- E)radiografia do quadril direito em rotação interna de 45° e incidência em AP (anteroposterior) do fêmur ipsilateral.
Errada, porque rotação interna de 45° pode ser impraticável e até dolorosa no trauma agudo, e a incidência em AP do fêmur ipsilateral não é o protocolo inicial mais adequado para o quadril.
Gabarito: D
Na suspeita de fratura de quadril após queda, o primeiro passo na radiologia convencional é fazer uma avaliação que mostre bem a bacia e o quadril afetado, sem forçar movimentação desnecessária do paciente. Em trauma agudo, isso importa muito porque dor intensa e possível fratura podem piorar com manobras de rotação. Por isso, a incidência lateral escolhida costuma ser a cross-table, feita com o paciente deitado, evitando mobilizar o membro lesionado. A combinação mais útil na triagem inicial é a radiografia AP da bacia, abrangendo ambos os quadris, mais a incidência lateral cross-table do quadril doloroso. A AP da bacia permite comparar os dois lados e ver alinhamento, luxação e fraturas do anel pélvico; a lateral cross-table ajuda a enxergar o colo femoral e a cabeça femoral sem precisar girar o paciente. Em emergência, essa dupla é clássica e eficiente. O gabarito D está correto justamente por unir cobertura ampla com segurança para o trauma. A bacia em AP pega o quadro geral e a lateral cross-table complementa a análise do quadril direito, que é o foco da dor. Já as incidências que exigem rotação do quadril ou que dependem de posição ortostática tendem a ser inadequadas no cenário agudo, porque podem ser dolorosas e ainda atrapalhar o exame. Em resumo: trauma de quadril com suspeita de fratura e sem tomografia disponível pede imagem simples, bem escolhida e sem acrobacia do paciente. Na prova, desconfie quando a alternativa manda o paciente fazer posição incômoda ou pede exame muito genérico para um trauma bem localizado.