O papel da ressonância magnética (MRI) no manejo do traumatismo cranioencefálico (TCE), é:
- A)indicada em todos os casos de TCE devido à sua alta sensibilidade para detectar lesões intracranianas.
Errada: a MRI não é indicada em todos os casos de TCE, porque na urgência a CT é mais rápida e mais adequada como exame inicial.
- B)substitui a tomografia computadorizada (CT) em situações de emergência devido à sua superioridade diagnóstica.
Errada: a MRI não substitui a CT na emergência, já que a CT é o exame padrão inicial para avaliar o TCE agudo.
- C)recomendada quando a CT não detecta anormalidades, mas os sintomas neurológicos persistem sem explicação.
Certa: a MRI é indicada quando a CT não mostra alterações, mas o paciente mantém sintomas neurológicos sem explicação.
- D)tem sensibilidade menor do que a CT para lesões intracranianas, mas é mais acessível em ambientes de emergência.
Errada: a MRI não tem sensibilidade menor que a CT para lesões intracranianas; em várias situações ela é até mais sensível, embora menos prática na emergência.
- E)a principal ferramenta para avaliar padrões de lesão baseados no mecanismo de TCE.
Errada: a avaliação dos padrões de lesão pelo mecanismo do trauma não é o principal papel da MRI no TCE agudo.
Gabarito: C
No traumatismo cranioencefálico, a tomografia computadorizada (CT) costuma ser o exame de primeira linha na urgência, porque é rápida, muito disponível e excelente para detectar sangramentos, fraturas e lesões com efeito de massa. Já a ressonância magnética (MRI) não costuma entrar como exame inicial do politrauma ou do atendimento emergencial, porque demora mais e é menos prática nesse cenário. A MRI, porém, tem um papel muito importante quando a CT vem normal ou pouco esclarecedora, mas a clínica continua “gritando” que há algo errado: rebaixamento persistente do nível de consciência, déficit neurológico sem explicação, suspeita de lesão axonal difusa, contusões pequenas ou lesões da fossa posterior. Ela enxerga melhor alterações sutis do parênquima e do tronco encefálico. Por isso, o gabarito é a letra C: a MRI é recomendada quando a CT não detecta anormalidades, mas os sintomas neurológicos persistem sem explicação. Em outras palavras, a CT abre o jogo na emergência, e a MRI entra quando o quadro clínico continua suspeito e a primeira imagem não resolveu a charada. Esse raciocínio é o que aparece de forma consistente na doutrina radiológica e nas diretrizes de trauma: CT primeiro na fase aguda, MRI como exame complementar em casos selecionados, principalmente para avaliação de lesões mais sutis e prognóstico neurológico.