Paciente idoso, com dor abdominal difusa há mais de uma semana, com febre persistente e tendo tomado analgésicos por conta própria, procurou o Serviço de Emergência. Foi solicitada uma ultrassonografia do abdômen que demonstrou volumosa coleção complexa em topografia retrocecal, deslocando o ceco anteriormente e com moderada quantidade de líquido livre na cavidade. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Apendicite perfurada.
Correta: o quadro clínico e a coleção complexa retrocecal com líquido livre são compatíveis com apendicite perfurada com abscesso.
- B)Linfoma.
Errada: linfoma costuma formar massa/adenomegalias, e não uma coleção complexa retrocecal com sinais de perfuração inflamatória.
- C)Adenocarcinoma de cólon direito.
Errada: adenocarcinoma de cólon direito tende a causar massa ou espessamento parietal, não abscesso retrocecal com líquido livre como achado principal.
- D)Invaginação intestinal.
Errada: invaginação intestinal costuma mostrar aspecto de alvo/pseudorrim e não uma coleção complexa infectada nessa topografia.
- E)Paniculite mesentérica.
Errada: paniculite mesentérica acomete a gordura mesentérica, geralmente com aspecto inflamatório mesentérico, não coleção retrocecal com deslocamento do ceco.
Gabarito: A
A questão descreve um quadro típico de apendicite complicada, já com perfuração e formação de coleção/abscesso. Em idosos, o diagnóstico costuma atrasar, porque a dor pode ser mais difusa, a febre pode persistir e o uso de analgésicos pode mascarar os sintomas, dando aquela falsa impressão de que "vai melhorar sozinho". Nem sempre o apêndice aparece bonito e didático na imagem; quando perfura, o que chama atenção é a complicação inflamatória ao redor. Na ultrassonografia, uma coleção complexa em topografia retrocecal, empurrando o ceco para frente, é altamente sugestiva de abscesso apendicular retrocecal. O apêndice fica posterior ao ceco, então a inflamação pode se organizar nessa região e formar líquido espesso, septações e conteúdo heterogêneo. A presença de líquido livre na cavidade reforça a ideia de processo inflamatório/perfurativo, não de uma massa tumoral tranquila e comportada. Isso ajuda a separar a apendicite perfurada de diagnósticos como tumor de cólon, linfoma ou intussuscepção. Em radiologia abdominal, localização e padrão da coleção contam muito: coleção complexa, retrocecal, com deslocamento do ceco e líquido livre, fala mais alto para infecção intra-abdominal do que para neoplasia. É o tipo de achado que faz o radiologista acender a luz vermelha da urgência cirúrgica. Portanto, o gabarito A está correto porque o conjunto clínico e ultrassonográfico aponta para apendicite perfurada com abscesso retrocecal. Em prova, pense assim: febre + dor abdominal prolongada + coleção complexa na fossa ilíaca direita/retrocecal = complicação apendicular até prova em contrário.