Os efeitos das radiações ionizantes no organismo humano resultam da transferência de energia do feixe de radiação para os tecidos, podendo ter resultados diversos que variam em função da dose absorvida, do tempo e da forma de exposição. O tipo de efeito biológico no desenvolvimento da catarata é considerado
- A)determinístico.
Correta, porque a catarata por radiação é um efeito determinístico, dependente de dose e com aumento da gravidade conforme a exposição.
- B)estocástico.
Errada, porque efeito estocástico se relaciona mais com câncer e mutações hereditárias, não com catarata.
- C)direto.
Errada, porque "direto" descreve o mecanismo de ação na célula, e não a classificação biológica cobrada na questão.
- D)carcinogênico.
Errada, porque carcinogênico é um tipo de efeito estocástico relacionado à indução de câncer, não à catarata.
- E)hereditário.
Errada, porque hereditário diz respeito a alterações transmitidas aos descendentes, o que não caracteriza a catarata.
Gabarito: A
As radiações ionizantes podem causar dois grandes tipos de efeito biológico: os determinísticos e os estocásticos. Nos determinísticos, existe uma dose mínima para aparecer o dano, e quanto maior a dose, maior tende a ser a gravidade do efeito. É o famoso caso de "passou do limite, o corpo reclama". A catarata induzida por radiação entra nesse grupo porque há relação com dose absorvida e, em geral, com exposição cumulativa ao longo do tempo. Ou seja, não é um efeito que surge de forma puramente aleatória; ele depende da quantidade de energia depositada nos tecidos oculares, especialmente no cristalino. Já os efeitos estocásticos são aqueles em que a chance de ocorrência aumenta com a dose, mas sem limiar claro, como ocorre com câncer e mutações hereditárias. Na catarata, o raciocínio é diferente: o foco está no surgimento do dano e na sua piora conforme a dose aumenta. Por isso, o gabarito A está correto. Em radioproteção, a catarata é classicamente tratada como efeito determinístico, com destaque para o cristalino como tecido radiossensível e para os limites de dose ocupacional previstos em normas de proteção radiológica.